
Minha Doce Perdição Pressinto algo a corroer-me as entranhas Sem dar sinal de quando vai cessar: É um nervoso miudinho e silencioso Que pressente todos os medos escondidos. Deixei-me envolver num manto de silêncio Procurando um desejado sossego apaziguante, Mas apenas colhi o seu amargo inverso. Como é traiçoeiro o nosso destino! Queria-me rodeado deste calor de Verão Pois lá fora vejo a vida alegremente despertar, Mas escuto, agora, loucas agonias perdidas Em lamentos que eu próprio desconheço. Aprendi no ardor desta minha pele Que na verdade não somos nada: Desconhecemos os nossos próprios sinais, Perdemo-nos na insegura mudança... Dizem que somos uma evolução permanente Mas eu apenas vejo um relógio velho Cujos ponteiros lentamente avançam Devido a uma corda preguiçosa. Será que amanha poderei ver o Mundo Sem medos recomeçar a girar? Sei que não, mas este coração gosta de surpresas! Coitado, acredita que a esperança nunca morre... Oh! Mas parece que já se deixou morrer! Lá em cima dizem-me que não, mas até convém, É bom chuchar o tutano de uma triste nação Que já não tem para comprar o seu próprio pão... |