quinta-feira, setembro 28, 2006

"na sombra", por António Araújo

SER INDIVIDUAL

Somos seres vivos e vivemos para a sociedade. Condicionados pelo que esta nos impõe, algo que está para além das leis e dos deveres cívicos, perdemo-nos numa rotina de ser para os outros, na vulgaridade de sermos iguais.
Não quero ser como os outros, fazer o que eles fazem ou o que querem que eu faça. Sou eu, apenas, todos os dias. Hoje, amanhã, sempre. Nasci como indivíduo na sociedade e aprendi a viver na mesma, a conhecê-la, mas quanto mais sei maior vontade sinto em me afastar. Não quero fazer parte dos seus pressupostos do que é normal, do que fica bem, do que é comum. Nasci em sociedade mas sei que posso pensar como ser individual. Quero pensar livremente e defender as minhas ideologias sem que em mim interfira o cruel e a frieza do desdém e da diferença (não que a opinião dos outros me preocupe).
Pergunto-me qual a razão de ter que sorrir quando tal não faz parte das minhas vontades. Deixar um sorriso de hipocrisia colado no rosto porque fica bem, porque agrada a alguém... parece-me absurdo. O mesmo se aplica ao facto de seguir-mos a “Moda”. Porque terei eu de me vestir segundo o que um suposto entendido na matéria diz e, assim, ser igual aos seus fiéis seguidores? Já agora, o que é estar na “Moda”? Para mim moda é o que eu quiser, o que me apetecer vestir, comprar ou usar. Infelizmente chegamos ao ponto em que, se acreditarmos em ideais opostos aos estipulados e nos comportarmos de forma diferente da maioria, acabamos por ser chamados de aberrações (e não só).
Sinceramente, não quero saber! Ponham-me a etiqueta que quiserem. Sussurrem à vontade quando eu passar, sejam mesquinhos, hipócritas, falsos... estejam à vontade, só vos ficará mal. Para mim, o importante é ser sempre eu, mesmo que em demência, seguindo o socialmente incorrecto. Nada mais me importa, sou livre de pensar individualmente e de sonhar. Esta estranha forma de liberdade é minha, não me irão conseguir privar da mesma.

terça-feira, setembro 26, 2006


No Silêncio de uma Noite Perdida

Sigo o silêncio desta noite perdida
Nas ruas de uma cidade deserta
E rendo-me ao vento e à sua magia,
Aos encantos de uma alma desperta.

É junto a este mar salgado
Escutando-te a ti e à sua canção
Que procuro no céu estrelado
A divina e eterna razão.

Não me roubem estas noites de verão
Perdidas numa cidade, perdidas no mar;
Não me roubem as estrelas nem a alma;
Não me roubem o eterno amor humano.

Quando o fogo arde, arde em mim
Para que veja a dança das sombras,
Sombras daquilo que já sofri.
Não me roubem as velhas esperanças.

Quero ser mas ser vivo,
Não perdido nas brumas da incerteza
Por trazer um sonho corrompido
Por ser velho sem a antiga beleza.

Quando amanhã de novo acordar
Que não seja mais se não eu
Pois mesmo que de ti perdido irei acreditar
Que não fui o único quem aqui perdeu...

sexta-feira, setembro 22, 2006



UM POUCO DE MIM MESMO

Eis uma tarefa que me foi sugerida pela bloguer Ruby Sackville-Baggins, proprietária do blog http://rubysackvillebaggins.blogspot.com/ . Esta tarefa consiste em inumerar seis coisas sobre mim; após realizar essa tarefa irei pedir a outras seis pessoas (bloguers) que façam o mesmo para darem continuidade a este ciclo. Os escolhidos deverão realizar esta tarefa nos seus blogs, escolhendo outras seis coisas para se caracterizarem, à sua escolha, e, no fim, escolherem outros seis nomeados diferentes para realizarem a mesma tarefa.

Vou tentar realizar esta tarefa. Falar sobre mim parece algo difícil, mas não custa nada tentar.

Literatura
Adoro ler. Desde pequeno que é um dos meus passatempos favoritos. Abrir um livro e passar uns bons momentos a desvendar os seus segredos, embrenhado nas suas aventuras, é algo que me dá muito prazer. Os meus temas favoritos no que toca à leitura são ficção científica, filosofia, psicologia, romance histórico e poesia. Gosto tanto de literatura portuguesa como de literatura estrangeira. Gostava muito de dizer alguns títulos de obras li, mas são tantas e variadas que nem amanha saía daqui.
Para mim os livros são algo muito especial. Com eles podemos aprender ou então limitarmo-nos a descontrair. É óbvio que podemos ler só para nos deliciarmos com a sua história, mas uma das coisas que também penso ser algo construtivo é analisar o que lê-mos. A maior parte dos escritores, ao escreverem um livro, deixam-nos mensagens que nos podem ajudar a ver o mundo de outra forma, ou simplesmente saber o que lhe ia na alma. Normalmente isto é mais fácil de identificar na poesia.
Os meus locais habituais de leitura são a cama, os transportes públicos ou até mesmo numa esplanada. Isto não me impede de ler noutros locais, mas estes são mesmo os mais frequentes.
Infelizmente, os portugueses têm poucos hábitos de leitura. Penso que as principais causas para o efeito são uma geração demasiado apegada às novas tecnologias e o factor económico.

Escrita
Escrever é algo que me ajuda a exteriorizar aquilo que sinto e que, por vezes, não consigo dizer por palavras. Quem me conhece acha estranho o facto de eu me expressar de uma forma diferente através da escrita, de uma forma muito mais madura. Não sei, o que escrevo é instintivo e é claro que penso quando estou a escrever, mas não consigo encontrar uma explicação que possa esclarecer tal coisa.
O que mais escrevo são poemas; poemas românticos, crítica social, etc... Também costumo escrever pequenos textos de pensamento interior, sobre mim ou sobre o mundo que me rodeia. Escrever faz-me sentir vivo e faz parte de dois dos meus grandes sonhos: seguir jornalismo de imprensa e ser um escritor reconhecido (pela positiva, é claro ^_^).
Gosto muito de escrever perto do mar, em esplanadas, no campo ou na cama, quando não consigo adormecer.
Gostava muito de ter tempo e cabeça para escrever um romance, uma vez que tenho várias ideias e histórias feitas na minha cabeça, mas passar para o papel é mais difícil.

Mar
Para mim o mar é um excelente meio para aliviar o stress. Acho que é um dos melhores confidentes. Ficar sentado a observar a rebentação das ondas, escutando o seu canto. Gosto da sua beleza, da diversidade de vida, dos seus mistérios e das lendas e mitos que giram à sua volta. É muito especial para mim. Infelizmente o ser Humano parece ter como objectivo destruir a sua beleza, mas isso é outra história...

Lua
A Lua é o meu símbolo romântico. O ideal é mesmo ter a junção desta com o mar, numa praia à noite. Também esta já me serviu de confidente e amiga.

Música
Gosto de praticamente todos os géneros musicais e uso cada um para uma dada situação. Ouvir música pode ajudar-me a relaxar, a descarregar as energias negativas acumuladas ao longo do dia ou então para ouvir, simplesmente, enquanto faço outra coisa qualquer.

Mau feitio
Como ser humano que sou, por vezes tenho um pouco de mau feitio. Por vezes penso que funciono com dupla personalidade: num momento estou muito bem disposto e por vezes, sem razão nenhuma aparente, fico de mau humor. Este mau feitio que por vezes tenho leva-me a ser muito teimoso e difícil de suportar. É um dos meus maiores defeitos e que convive muito comigo sabe bem disso. Só posso é pedir desculpa, uma vez que faz parte de mim e não conseguir evitar ou controlar...

Anime
Se há coisa que eu também adoro muito é animação japonesa. Algumas pessoas pensam que isso é só para crianças e não acham piada nenhuma, mas gostos são gostos. Uma das coisas que me atrai no anime é as histórias, repletas de mensagens sobre a vida, diversos temas e também cultura. Para muitos não passam de desenhos animados japoneses, mas para mim é mais que isso. Tem um misto de aprendizagem interior aliados à fantasia da criança que há dentro de cada um de nós. Basta é saber escolher o anime certo que se enquadra mais na nossa forma de ser, porque diversidade é o que não falta.


E é só!
Demorei mais de uma hora a realizar esta tarefa, mas até achei divertido!
Os escolhidos para continuarem esta tarefa são:

Horcruxes
Hugo Vieira
JuliusClausius
Klatuu o Embuçado
Ana Origami
Ac-Nataraj


Para o caso dos seleccionados não quererem realizar a tarefa não há problema, não é obrigatório! Caso o façam, divirtam-se!

quarta-feira, setembro 20, 2006

Desde segunda feira que regressei ao liceu. Um novo ano lectivo pela frente permanecendo num aglomerado de sons, cor, luz (ou falta dela)... Há algo aqui que continua a assustar-me.

O Reencontro
Reencontrei o liceu, o mesmo em que estudo parece já uma eternidade. O mesmo de sempre, com os mesmos defeitos de sempre e mais alguns que já consegui detectar. Com o jornal de Março ainda afixado, o jornal que eu fiz e que ainda ali permanece, esquecido no tempo. Vejo de novo os velhos alunos e os novos; acumulam-se no caminho e nas entradas, obstruem as passagens e provocam um ruído que se pode assemelhar ao de um galinheiro.
Reencontrei os meus colegas, os mesmos desde o 10º ano e alguns anteriores. Estão iguais ao que sempre foram.
Reencontrei um pedaço de tempo que parou, um pedaço de tempo que não avança...

É tudo tão igual ao de sempre e sempre tão diferente de mim. Banais discussões, risos histéricos, problemáticas de uma adolescência ainda por ser feita. Não vou ver este quadro como um pesadelo, mas sim como algo que me pode fazer mudar mais um pouco, evoluir. Vou aprender o que quero aprender e tirar o pouco que resta de interesse. Se tiver tempo, mesmo que os outros não se importem, vou dar um pouco de mim para que possa mudar alguma coisa. Tentar fazer com que, no futuro, os que vierem e os que já cá estão, possam ter algo melhor, algo que lhes faça ter prazer em permanecer ali.

segunda-feira, setembro 11, 2006















O teu Lar

Percorrendo os espaços verdejantes
Do tempo dos românticos
Sigo o vento e as folhas
Em busca de um olhar

Senti o gosto doce desta terra
Tão doce como os teus beijos
Na procura de outros tempos
De outras vidas

E é no enlear dos sonhos com a vida
Que descubro a fantasia
De mundo teu, escondido,
Que agora me revelas

Seria sabiamente protegido
Se o amor não existisse
Para acalmar as feras da oposição
Que agora confiam em mim

O tempo parou para nós
Não, não parou
Nós é que já não damos por ele
Pois perdeu-se na indiferença

sábado, setembro 09, 2006

Animal Attraction

Bem, eis um video animado que nos fala de algo que não nos difere muito dos animais - sexo! Hoje em dia é algo muito explorado, mesmo a nível comercial. Deixem-se de tabus e divirtam-se ^_^

quarta-feira, setembro 06, 2006

A Eterna Mudança

Este desenho foi feito hoje por mim. Como é óbvio, trata-se de um desenho abstracto. Dei-lhe o nome de “A Eterna Mudança” pois foi nessa ideia em que me baseei para o fazer. O bom do abstracto é que cada um pode tirar as suas próprias conclusões. Sei que não está nada de especial, sinceramente nunca fui bom no que toca a desenhar (e em muitas outras coisas). Todos os anos em que tive Educação Visual as minhas notas eram sempre à base do 3. Por estranho que pareça tive 5 no último ano em que tive esta disciplina. Enfim, nada é perfeito e este desenho é uma dessas coisas imperfeitas, mas tem o seu significado, pelo menos para mim. Espero que gostem. Verdade seja dita, mesmo que não gostem ele está aqui, isso não muda nada, mas podem dar a vossa sincera opinião, eu não fico chateado.

sábado, setembro 02, 2006

"Night Garden" - Sue Memhard

Num Jardim

O céu tinge-se de negro
enche-se de estrelas
e é nesta noite, num jardim,
em que o tempo pára
deixando-se levar
ao sabor do vendo
que agita o fogo da memória.

O incenso arde, perdido,
perdido no verde escuro
no silêncio
nas conversas
num momento vago
ou na imensidão
da simplicidade.

Será sempre um jardim
ou mais que isso.
Hoje é o que eu quiser
o que a fantasia permitir...
Quando a noite terminar
despeço-me
com a promessa de voltar.

Este poema surgiu num jardim, em casa de duas pessoas que, além de tudo, são minhas amigas. O jardim, as pessoas e os livros ajudaram-me a criar este poema. É diferente e, para mim, especial. São as pequenas coisas que marcam a diferença e estes ofereceram-me pequenas grandes coisas. Obrigado ^_^

quinta-feira, agosto 24, 2006


Quando o Calor Aperta

Haja vontade para ver tanta gente
Exibindo as suas curvas em roupa reduzida,
Talvez por terem o sangue muito quente
Ou aos tecidos alguma estranha alergia.

É vê-las na praia banhando-se ao Sol
De cabelo solto ao vento na rebeldia;
Acham-se brasas esquecidas no lençol
Rindo-se do nada numa estranha alegria!

Com a procriação a guinchar e a correr,
São os olhos de quem, já cansado,
Os afunda em castelos de areia para não os ver
Pois nada é pior que um leitão mal educado.

É vê-los amontoados uns em cima dos outros
Pois, quem sabe, aquela área não é a melhor!
Tão juntinhos que até parecem monos,
Todos eles infelizes filhos do "nosso" Senhor...

domingo, agosto 20, 2006


Frias Noites de Agosto

Hoje é mais uma das noites de Agosto
Em que o calor se extingue à sua fraqueza
E deixa que o corpo gele na indiferença
De ser de alguém a seu bom gosto.

Só e perdido na noite, deixa-se levar
E navega pelo céu estrelado de fantasia
Soprando as velas com tristeza e agonia.
Já não se preocupa se, um dia, não voltar...

Sente-se um corpo vazio com uma alma nua,
Nua de sonhos, esperança e força de guerreiro.
Agora só lhe apetece chorar quando, no travesseiro,
A cabeça cai pesada por ser tão dura.

De quem é a culpa se, na verdade,
Não pediu para existir ou mesmo nascer,
Não desejou que o tempo o visse crescer?
Nem o destino culpa pela sua crueldade!

Agora que rodeado de um pouco do Mundo,
Ouvindo vozes perdidas na dimensão,
Continua a sentir o vazio da solidão
Levando-o cada vez mais para o fundo.

Quando fechar os olhos para dormir
Já lhe irão esperar os medos sinistros
Que entrarão, mesmo não sendo bem vindos,
E atormentarão a luz soltando mudos gemidos...

sábado, agosto 19, 2006

EM BUSCA DE MIM PRÓPRIO

Daqui a poucas horas estarei a caminho de umas férias que penso serem merecidas. Estar longe daquilo que vejo todos os dias, sentindo-me mais perto do mar, talvez me ajude a compreender melhor tudo o que em mim agora sinto. Pergunto-me a mim próprio o porquê deste sentimento de revolta interior que me mantém num suster de respiração quase que permanente. Talvez tenha tudo para ser feliz, mas porque não me sinto assim? Heis uma pergunta à qual espero obter resposta nestes dias.
Eu gosto de Lisboa, a Baixa e as suas ruas cobertas de música, cor, luz... Gosto até da minha casa, o suficiente para o dia a dia; gosto de ter um espaço meu, onde agora escrevo estas palavras, pensando no motivo pelo qual o estou a fazer. Apesar de tudo, gosto de me distanciar deste mundo do dia comum e partir. Sei que não é por muito tempo, nem eu conseguiria tal proeza, mas é o tempo suficiente para aprender a ter saudades e até mesmo para arrumar algumas ideias. Espero voltar a encontrar-me, tocar na minha alma e abraçar o meu “EU” interior, mais uma vez. Só longe o conseguirei, mesmo não estando sozinho.
Esta imagem que ilustra o texto, tem algo que me despertou a atenção. Gostava que, quem lê-se este humilde e tosco post (e blog), me disse-se o que pensa dela, o que lhe transmite e, para os mais audazes e sonhadores, que sonhos e fantasias vos trás à memória.
Até ao meu regresso
^_^

quinta-feira, agosto 17, 2006


PALAVRAS NOCTURNAS
(1)



É durante a noite solitária que os medos fogem da alma para atormentarem os sonhos. Soltam-se gemidos abafados pela almofada quebrando o silêncio, mas mais ninguém o ouve. E é aí que se ouve o estalar da mobília, trazendo ao momento um gosto mais assustador, alimentando assim a sensação de solidão. Porque me lamento se, na verdade, fui eu que escolhi o meu destino? É este o sinal da cobardia de fazer o tempo mudar... Posso ser um cobarde da vida, sobrevivendo para os outros, mas ainda existo como matéria. Sou a matéria de um sonho de ninguém, perdido nas madrugadas de uma terra que não existe.
A história já mudou. Não sou mais se não aquele que escreveu e escreve palavras que tu nunca compreendeste. As palavras que saíram e ficaram à espera que tu as lesses, mas tu não o fizeste. Dizias que sim e, na verdade, cheguei a ver-te declinado sobre elas, mas isso não basta. Não basta dizer que são belas, ou agradecer pelo facto de lá estarem, é preciso também compreendê-las e isso tu nunca soubeste fazer. Não te culpo por isso, culpo-me a mim por as ter escrito. Agora que o vento já as levou ficaram as folhas em branco, num livro ainda por escrever. Esse será um livro de histórias que nunca te contei porque nunca as quiseste ouvir e eu nunca as quis contar. Para ti não interessa saber de onde vêm as palavras porque já não te fazem falta, nunca fizeram, foi apenas um misto de conveniência e obrigação.
As palavras que agora escrevo têm apenas o sentido que lhes dou, não são para ti. Expresso com as mãos aquilo que os olhos viram e que a alma agora sente. A minha curta existência, como tu tantas vezes me disseste, sente que a criança por ti afirmada já não existe. Onde foi parar a inocência que me roubaste sem te dares conta? Perdi-a e sei que não voltarei a encontrá-la. Também já não a quero, só iria fazer de mim um alguém ainda mais fraco do que já sou. Não vou continuar a divagar em sonhos, já não valem aquilo que queria. Até esses escondeste de mim. Mesmo que afirmes ser mentira, eu sei aquilo que sinto, aquilo que fui e aquilo que agora sou. A culpa não é de ninguém, também não é tua. A culpa é minha pois fui eu que um dia os libertei.
Esta noite vou deixar-me ficar no silêncio, até que a madrugada volte e me faça renascer. Se não voltar deixem-me dormir e viver na fantasia para que ninguém ma roube.

segunda-feira, agosto 14, 2006

METÁFORA DA VIDA

(exemplo 2)


A cada dia que passa sinto que tudo se pode transformar em algo diferente. Mesmo aqueles dias sombrios, dias em que olho o estranho espaço que se encontra para lá da janela e deparo-me com um mundo cinzento, onde pequenas lágrimas escorrem nos vidros que reflectem a minha dor. Ainda hoje tenho presente na memória esse cancro. Sim, não o esqueço e talvez nunca o esquecerei. Que ironia! Por vezes não nos lembramos do que temos de bom, apenas daquilo que nos tortura... Será mesmo isso assim tão importante ao ponto de não ser esquecido? Não, mas certamente deixou a sua marca, uma cicatriz que se ressente nos dias frios. Esses dias parecem não ter fim, mas tudo depende do sentido que lhes damos. Penso que não adianta sofrê-los mas sim aprender com eles.

Quando a noite assombra os pensamentos furtivos da alma, por hábito, trancamo-nos num quarto, numa casa, num mundo, trancamo-nos em nós mesmos, rodeados de um silêncio ensurdecedor, de sombras, saboreando o salgado gosto das lágrimas. Valerá a pena escondermo-nos do mundo? Será que tal nos vai acalmar a dor? Penso que só atiça mais as chamas que nos consomem o gosto pela vida.

Quanto mais eu me escondia, mais sofria, mais sentia na pele a ferida que lentamente gangrenava. Desconhecia uma cura, mas penso tê-la encontrado. Os ingredientes logo se fizeram aparecer, dançando e cantando, sorrindo numa mistura frenética. Uma noite fora de uma prisão psicológica, rodeado de outros sons para além do soluçar da alma, a música, longas conversas de amigos, a própria natureza e algo que me apura o próprio paladar. Sentir de novo o tempo a avançar, cada vez mais depressa, mais emotivo. Mas parece que não chega ao descanso. Sair mais, viver, escutar o mar, sentir o sol tocar-nos na pele e aquecer-nos a alma. Uma gaivota a voar sobre mim e a cantar um hino à liberdade. Toda a liberdade que ansiava, aquela que eu próprio havia encerrado em mim.

Reconquistar o que muitos odeiam ver, aquele sorriso estúpido na cara todas as manhãs. Sim, podemos achar estúpido, mas sabe tão bem sorrir com vontade. Rir mesmo, soltar umas gargalhadas até que nos doa a barriga. Voltar a sentir a fervura do sangue e corar quando alguém nos toca na pele e nos rouba um beijo, fazendo-nos sentir especiais. Aquele elogio discreto que nos tinge a face. Sentir de novo o pulsar do coração. Penso que assim poderei fechar os olhos e sonhar.

Todos os dias são dias diferentes e de cada um receberei algo diferente. Posso até receber uma tela de tons cinzentos, mas irei guardá-la na esperança de que, mais tarde, a possa pintar com as cores de novos sonhos, com as cores de um sorriso, de um olhar ou até com as cores do amor...

sexta-feira, agosto 11, 2006

METÁFORA DA VIDA
(exemplo 1)
Existem determinados momentos ao longo da grande viagem à qual chamamos Vida que nos despertam diversas sensações. Seja qual for o transporte que usemos nessa viagem, e isso deixo à imaginação e à fantasia de cada um, não nos podemos esquecer que este dará sempre problemas ou então são os trilhos que escolhemos. Penso que o importante é não ficar na berma de uma estrada deserta, de polegar esticado (ou perna, no caso dos mais desesperados) à espera que alguém nos dê boleia. O melhor mesmo é sujar as mãos (ou não, não sei que tipo de meio de transporte usam) e tentar resolver o problema em si.
Reconheço que não é fácil lidar com determinadas situações, qualquer um, numa situação limite, entrou em desespero. Mesmo aqueles que aparentam ser muito fortes e que nada os derruba, sim, mesmo esses derramaram já algumas lágrimas, mas, como são muito orgulhosos, fazem-no às escondidas. O problema de muitos (eu próprio já fui assim) guardam toda a dor e sofrimento que estão a sentir dentro de si, chegando mesmo ao sufoco total. É aí que entram os amigos ou mesmo alguém especial. Mas eles não nos vão dar boleia, nem é isso que se quer. Eles vão ajudar a por o nosso meio de transporte a funcionar de novo, ajudar a retirar do caminho aquilo que nos impede de prosseguir a viagem, etc... Volto a relembrar, eles vão ajudar e/ou podem ajudar, mas nunca o irão fazer por nós, mesmo que queiram, não o podem fazer. A finalização do trabalho e grande parte do mesmo cabe-nos a nós.
A vida tem coisas boas e coisas más e é nesta viagem que aprendemos isso mesmo. Cometemos erros, tentamos emendar o caminho errado que seguimos (pode dar-se o caso de ainda conseguir-mos fazer um desvio para um novo caminho), mas nunca iremos saber qual o caminho certo. Podemos pensar que é aquele e tentar, mas a certeza nunca teremos. Mas, como disse hoje a alguém, a vida pode ser vista (também) como um bolo doce e cremoso (escolham vocês o sabor que mais vos agradar, sim, usem a imaginação) mas com uma cobertura azeda, amarga (escolham como cobertura o sabor que mais odeiam). Não pensem que podem simplesmente cortar uma fatia desse bolo, pôr a cobertura que não gostam de lado e comer só o que é bom. Errado. Vão ter que comer a fatia toda porque, para chegarem à parte boa, têm que provar também um pouco da parte menos boa. Infelizmente não vivemos naquele mundo cor-de-rosa dos livros que líamos em pequenos do “Era uma vez...e viveram felizes para sempre”. Tudo depende de nós.
O importante é nunca desistir de viver. É aprender com os erros, ultrapassar os obstáculos, evitar os trilhos sombrios e ignorar aquelas tabuletas que só nos dão informação errada, gozam connosco ou nos tentam atrair para maus caminhos. Quando se encontrarem numa “situação limite”, não desistam. Podem chorar, sim, porque chorar faz bem, mas nunca desistir. Terão o apoio de amigos, familiares ou alguém muito especial para vocês caso precisem muito, mas não se encostem a isso, ninguém fará o trabalho por vocês.
Desejo-vos a todos
UMA BOA VIAGEM

quarta-feira, agosto 09, 2006

O FIM DA TORRE DE MARFIM

Todas as noites eu me aproximava da minha Torre de Marfim e no seu topo ficava, observando a luz da lua incidir os seus quentes e serenos raios sobre mim. Seguia as estrelas até ao infinito dos meus desejos, eram noites que me sabiam ao mais puro e doce mel. Como me sentia tranquilo e protegido até ao amanhecer, onde um enorme arco-íris se estendia para mim, dando-me passagem para o mundo real.

Como nunca antes tinha sido atacado, nunca imaginei muralhas nesta minha torre. Quem iria tentar destruir os sonhos de alguém que, na verdade, nada é? Como eu me enganava. Certo dia, logo ao amanhecer, o azul do céu foi absorvido pela escuridão, mesmo diante dos meus olhos. Nesse momento senti o medo, a insegurança de perder tudo o que tinha. Nada poderia prever aquele acontecimento. Sem que nada pudesse fazer, abandonei o meu sonho, na esperança que tudo voltasse à normalidade ao meu regresso.

Nessa noite, como sempre, regressei à minha Torre de Marfim. Fiquei assombrado com a visão fantasmagórica que os meus olhos assistiam: a minha torre, envolta numa tempestade de ódio e pesadelos! Ao tentar entrar para a defender alguém me interceptou. Era um anjo da morte, um devorador de sonhos. Não consegui conter as lagrimas quando me disse que a torre já não me pertencia e que a sentença era a destruição. Não compreendia a razão e ele limitava-se a rir, num riso de loucura que ecoava devastando tudo à sua volta.

Foi neste dia que perdi o meu bem mais precioso... Terei agora que reconstruir aquilo que perdi, recomeçar do nada. A loja dos sonhos está fechada e eu já não me lembro do caminho... Resta-me agora esperar na escuridão, que alguém me dê a mão e me ilumine o trilho que um dia voltarei a seguir...

terça-feira, agosto 08, 2006


A Caixa de música

Era numa caixinha de música
Onde meus sonhos eu guardava
E sempre que eu lhe dava corda
Ela tocava, tocava e eu sonhava...

Era uma musica de sorrisos
Que entoava no mundo só meu
Dando-lhe cor, fantasia e alegria!
Já não me lembro de quem ma deu...

Um dia ela deixou de tocar,
Serrou-se num silêncio medonho!
Como poderia sem ela sonhar?

Vejo-a agora na sua inutilidade,
Coberta pelo pó do esquecimento,
Trazendo-me a sua saudade...

domingo, agosto 06, 2006

Card Captor Sakura - Hitorijime

Este foi o meu primeiro AMV (Anime Music Video) de Card Captor Sakura. Foi feito a 20/11/2004 e para isso utilizei dois filmes de CC Sakura e a música Hitorijime da OST da série original. Finalmente com conta no Youtube pude lá por este video e partilhar com quem o quiser ver, inclusive aqui no blog.
Pode não ter muita qualidade,porque ao por no Youtube perdeu-a. Espero que gostem ^_^

quinta-feira, agosto 03, 2006

Vassalagens de outras Vidas

Nesta noite de murmúrios perdidos,
Nas sombras inquietas da alma,
Quero que me consumas o corpo
Já morto e desprendido de sentidos.

Quero ver o brilho dos teus olhos
Perseguirem os meus na eternidade
Até que a respiração ofegante cesse
E deixe fluir a essência de outros sonhos.

Desenraíza-te desse lodo imundo!
Deixa-te crescer em páginas soltas
Na neblina da eterna mudança...

Não soltes esse grito corrupto
Para que não se perca na cidade
Onde os pobres se passeiam.


quarta-feira, agosto 02, 2006

CORPO E ALMAFotografia de Ricardo Costa - ...Just can't take it...

O corpo é algo susceptível ao toque, pode ser tocado, acariciado. Nele são idealizadas as fantasias de cada um num desejo carnal. Olho-os, loucos, pairando no ar, seguindo a doce fragrância corporal, os traços da magistralidade de Adónis ou de Vénus; desejam senti-los e possuí-los em insânia.

Na alma jamais poderão tocar. Podemos contemplar a sua perfeição, admirar os seus vértices de cristal. É a luz que brilha no interior e que raramente é observada pelos olhares levianos de um povo cego e materialista.Todos nós queremos um corpo, é certo, mas para além do corpo está a alma, a personalidade de cada ser.

terça-feira, agosto 01, 2006

ALMAS SOMBRIAS E CONFUSAS


Estarei eu eternamente condenado a viver neste mundo corrompido? Um mundo de sombras, de almas perdidas, de obscuras ilusões, onde qualquer passo se pode tornar numa fatalidade letal.

A cada dia que passa sinto a gélida lamina da Morte trespassar o meu corpo vezes sem conta fazendo-me perder a força e a lucidez momentânea da esperança.


Solto palavras ao vento para que obtenham liberdade antes de morrerem em mim. Espero que não se percam em rasgos de loucura...

Que o Mar lave o sangue que derramo por cada sonho mal parido pela alma.