sexta-feira, fevereiro 22, 2008


O Renascer da Lua Nova

Ouvem-se os sussurros da noite
Num pronuncio de morte
Ditado pelos astros longínquos
Onde serei o réu da Lua nova.

Cai sobre mim o negro véu
Para que não ouse olhar o passado;
A boca é cozida de linho
Para que não ouse cantar o passado;
O corpo é gelado no silêncio
Para que não sinta ou escute o passado;

E ele ajoelha-se perante os deuses
Elevando-se o espírito rebelde,
De pele branca e brilhante,
Com asas de demónio errante.

Abraça a carne do criador
Chorando o seu amargo sangue,
Pois também ele asfixia de dor
Ardente no frenético coração
E o desejo da própria extinção
Partilha no insano sofrimento.

Espírito e carne unidos
Perante a vontade maior
Aguardarão que os não-vivos
Lhes tragam sorte melhor…

Abre agora os braços ao mar,
Sente o seu abraço e a brisa suave:
A força renovada da alma
Envolta na espuma branca
Das marés que os teus olhos brotaram
Enxugadas pela gloriosa Lua.

Que novos sonhos se criem
Ou renasçam das intempéries
Como a ave sagrada se elevou
Das mais negras cinzas.

Aquece agora o corpo cansado
Para que volte a sentir no futuro;
Beija-lhe os lábios secos
Para que volte a cantar no futuro;
Dá-lhe a luz da Lua nova
Para que veja a o brilho futuro.

Amanhã terás esquecido
O renascer do passado de hoje;
E que o espírito aguarde
Os sinais do Mar e da Lua…

terça-feira, fevereiro 05, 2008

You are my love - Sakura's song - Tsubasa Chronicle

title : You are my love
sing by Sakura ~ Yui Makino version

song lyrics english version:

Kiss me sweet
i'm sleeping in silence
all alone
in ice and snow

in my dream
im calling your name
you are my love

in your eyes
I search for my memory
lost in vain
so far in the scenery
hold me tight,
and swear again and again
we'll never be apart

If you could touch my feathers softly
I'll give you my love
we set sail in the darkness of the night
out to the sea
to find me there
to find you there
love me now
if you dare...

Kiss me sweet
i'm sleeping in sorrow
all alone
to see you tomorrow

in my dream
I'm calling your name
you are my love...
my love...

song lyrics japan version:

Ame ni nureta hoho wa
namida no nioi ga shita
yasashii manazashi no
tabibito

Shizuka ni hibiiteru
natsukashii ongaku
omoidasenai kioku
samayou

Yume wa tobitatsu no chiisa na tsubasa de
omoi no kienai basho made
futari de
tooi umi wo sora wo koete

Kurai yoru no naka de
watashi wo terashiteru
yasashii manazashi no
anata ni
aitai...

Marcha Carnavalesca

É Carnaval. Tempo de loucos. Desfilam nas ruas putrefactas, com mil e uma caras que escondem a verdade, como sempre, mas com desculpa festiva.
Chovem serpentinas e confetis, lançados por um palhaço aparentemente feliz. Esconde a tristeza nas suas pinturas exageradamente extravagantes. E dança e gesticula expressões cómicas, soprando uma trompete de plástico colorida, já que a vida lhe roubou a voz e só assim se faz ouvir. Pobre palhaço. Tenta dar o que lhe roubaram, aquele sorriso genuíno ou uma gargalhada sincera.
Desaparece pelas saias saloias das varinas mas vestidas e assombrosas. Fedem a perfume barato e não é peixe o que vendem. Ou talvez seja, segundo dizem as más-línguas. Vêm de braço dado com anjos perversos e diabos de sorriso malicioso. É noite de festa. Depois de resto é o costume. Super heróis amedrontados, princesas sem dote, embebidas em vinho, génios da tabuada ou piratas de água doce.
As máscaras são variadas. Uns vestem-se do que podem. Outros do que queriam ser quando eram pequenos. Há aqueles que são o que sempre foram e recalcaram ao longo do ano. Por fim, os que cedem à extravagancia para que sejam vistos. São o que quiserem ser, num desfile insano e mal articulado. Dançam embriagados pela vontade obscura.
Parece que vejo todas as cores movimentando-se e misturando-se de forma berrante. Agonia-me. Sei que amanhã serão apenas uma: o preto. A cor da morte que se espalha nas ruas desertas, com o odor a álcool e vómito que fermentam nos passeios. É o presságio do fim das danças loucas, das gargalhadas insanas. E eu restrinjo-me ao olhar do silêncio.

terça-feira, janeiro 22, 2008


Procuro-te

Procuro-te na noite
O teu olhar, o teu toque
Espio o teu corpo despido
Procuro o teu calor
Mas a cama está vazia

Já não sonho com a vida
São apenas sombras
De uma causa esquecida

As sombras ganham forma
O medo cresce e o corpo estremece
Cria-se um monstro
Surge o que não quis ser
O que um dia se escondeu

Agora governa e finge
Mata mais um pouco de mim
Arranha a alma nua

Procuro-te na noite
As lágrimas cegam a razão
Já cansa procurar
Mas continuo, insano como antes
Porque a cama está vazia

sexta-feira, janeiro 18, 2008

The Little Mermaid - Ariel

My name is Ariel
And I want to be free
It is your sorrow
That has made a slave of me
Forgive me
Forgive me
But you are all I know
Forgive me for leaving

The day is breaking now
It's time to go away
I'm so afraid to leave
But more afraid to stay
Forgive me
For leavning
The sadness in your eyes
Forgive me

Let the wind and ocean water
Wash across your hands
Wash away a thousand footsteps
Wash us all away
Like sand

The sky has fallen
Now the earth is dry and torn
I know you're tired
From the violence of the storm

I love you
I love you
But you are all I know
Forgive me

Let the wind and ocean water
Wash across your hands
Wash away a thousand footsteps
Wash us all away

Let the wind and ocean water
Wash across your hands
Wash away a thousand memories
Wash us all away
Like sand

My name is Ariel

quarta-feira, janeiro 16, 2008


Dream Diary

I

Memórias Passadas

No topo de uma falésia enfrento as trevas de uma noite sem lua ou estrelas. O Mar chama-me e eu oiço os seus murmúrios trazidos pelo vento quente. Envolto numa capa branca, fito a rebentação das ondas lá em baixo. Soa mais alto, e uma luz surge, vinda das suas profundezas. O corpo enfraquece e deixa-se cair e engolir pelas águas agitadas. Abro os olhos. Espanta-me conseguir respirar. E a luz aproxima-se, envolvendo-me na inconsciência da sua origem.
Acordo no infinito sombrio, cujo solo preenche-se por uma fina camada de água. Estou só e despido do que me prende ao senso comum. Toda a solidão em que me encontro faz-me cair no desespero de existir. Abraço-me e deixo que as lágrimas façam parte do momento. Oiço passos que ecoam no meu pensamento. Sou eu. Não como sou agora, mas como fui em tempos, quando a minha alma ainda não tinha sido corrompida.
“Não chores. Não estás só!”
Aquela criança sorri para mim e estende-me a mão.
“Vem comigo. Quero mostrar-te uma coisa.”
E realmente mostrou. Imagens fizeram-se surgir, do mais longínquo inconsciente. Imagens do que já passou. De todos os momentos em que sorri e fui feliz. Cada vez mais rápido. E a criança limita-se a sorrir para mim, enquanto desvanece-se deixando-me só, mais uma vez. Ainda oiço a sua voz na minha cabeça:
“Não estás só.”
Abraço-me e deixo-me envolver pela luz que me faz despertar, para o fim do sonho.

terça-feira, janeiro 15, 2008


A Dor de um Mortal

Derivo na noite com a alma nua,
Procurando no céu as estrelas e a Lua.
Faz frio, o corpo vacila e deixa-se morrer;
Estou cansado desta busca eterna.
Sou como um mortal
Sem as asas que da luz vi nascer,
Feitas de sonhos sublimes e esperança…

Venda-me os olhos
Para que não veja a escuridão;
Esta dor que me abraça
Nas trevas dos meus medos
Faz-me insano, sem razão.

Quase que me sinto trespassado
Por mil espadas empunhadas
Pelas sombras amarguradas
De um coração devassado
Pelas mãos de quem o entreguei!

Fui presa de uma ser
A quem o amor e a carne não bastou
Para saciar a fome voraz,
Até a alma foi despida de sonhos
E amordaçada em espinhos de aço.

Chorei rios de prata,
Memórias que não preenchem o vazio;
Tempo que não te fez acreditar
No que mais sincero tinha para te dar;
Fizeste do eterno efémero;
Deixaste morrer a chama
Que iluminava o nosso caminho…

quinta-feira, janeiro 10, 2008


Paz Campestre

Cheguei. Ao fim de três longas horas de viagem, incómodas e apertadas pelo excesso de bagagem, ao som de rádios locais, alcancei o tão esperado destino. Tudo o resto ficou para trás, aquela ruidosa e monstruosa cidade e a rotina que me prendia com as suas correntes de aço, inquebráveis. Nem acredito que aqui estou, mais uma vez, sentado nesta pedra que já me conhece desde pequeno, aconchegado ao abrigo de uma figueira de quem o tempo já ninguém recorda. Parece que me aguardavam impacientes, pois estão como me recordo delas. Aqui não há buzinas, não há gritos, não há crianças a chorar. Não há correrias nem autocarros para apanhar. Tenho apenas o silêncio vivo da natureza que me envolve e abraça novamente, como sempre abraçou.
Que saudade tinha destas tardes de Agosto, tardes em que o canto da cigarra me faz reviver a nostalgia de outros tempos, tempos em que a minha própria inocência se misturava com a fantasia de que poderia aqui ficar na eternidade do tempo. Este é o meu santuário. Não conheço outro destino se não este, que me apazigua e me oferece momentos de reflexão, longe da intelectualidade que nos vicia. Nenhum outro me chama assim, sem palavras, apenas com as recordações que trago na memória. Aqui aprende-se com as sensações e com os sentidos que a natureza nos deu. Aprende-se a respirar.
Olho à minha volta. Não vejo ninguém. Apenas casas distantes, envelhecidas. Semeadas por montes e vales, aguardam serenamente por alguém que lhes conte histórias de outros mundos, de outras vidas que não as suas. Sabem que não virá ninguém. Deixaram-se ficar, com os poucos que nelas habitam, esquecidos pelos filhos que partiram, abandonando a terra que os viu nascer e que sempre lhes deu tudo aquilo que na verdade precisam. Mas, os que ficaram, não lamentam a solidão pois, na verdade, não estão sós. Têm muito mais que pessoas, algo que sempre lá esteve e que conhecem melhor que ninguém. Restringem-se a aguardar a morte, confiantes, com um sorriso na face e sem medos, porque morrer é renascer no eterno descanso que sempre aqui tiveram. Deram toda a sua vida para construir sonhos só seus, e o orgulho é infinito. São felizes. Eu, que venho de fora, de um mundo de cores cinzentas, e que penso ter tudo, por vezes não compreendo como podem ser felizes, sem bens materiais. Aí reside a grande diferença. Não é contentarem-se com pouco, mas é terem tudo o que realmente precisam, aliado à paz que o mesmo lhes oferece. Nós, fantasmas da cidade, pensamos que temos tudo, mas, na verdade falta-nos muito. Falta-nos abandonar o materialismo e encontrarmo-nos bem com aquilo que a natureza nos oferece. Nós somos infelizes, mas pensamos o contrário.
O Sol está tão quente que não há ninguém que se atreva a espreitar pelas portas de madeira e ferro já lascadas, ou pelas janelas de vidro fosco. Parece que toda a aldeia adormeceu, num sono profundo, pousando para uma enorme tela, pincelada de traços incertos por uma mão cansada e enrugada, que mistura, sem saber, todas as cores da vida que já passou.
São duas horas da tarde. Ainda me resta muito tempo até à hora de jantar e o almoço foi farto o suficiente para me deixar aconchegado durante as próximas horas. Sorriu para mim mesmo. É estranho. Toda esta calma me é familiar, mas sempre me parecera tão distante nos últimos meses em que me mantive ausente. Talvez seja por me ter deixado consumir pela sombria cidade. Mas agora não importa, posso ser eu novamente. Posso abrir de novo a mente e deixar-me seduzir pelas maravilhas que este espaço, este mundo utópico, me proporciona. Posso escutar os seus ensinamentos. Aprender a ser humano.
Uma pequena brisa aproxima-se, tocando nas flores silvestres que balançam suavemente. O meu olhar prende-se nas suas cores. Rosa, amarelo, branco, dourado, azul, verde. Perco-me em tanta diversidade. Parece que se movem com o esvoaçar ingénuo das borboletas. Sempre que pousam numa rústica flor fazem-na curvar-se, ligeiramente, voltando subir graciosamente. Depois, abrem as suas asas, salpicadas de tons castanhos, negros e brancos, exibindo-as, para as voltar a fechar, suavemente, sem pressas, mantendo a curiosidade de quem, como eu, as observa. Não têm onde ir. E tudo isto me consome e hipnotiza, levando-me a fantasiar um pouco. Por momentos, breves, mas profundos momentos, parecem-me fadas que pairam de flor em flor, procurando a mais bela, nunca tão bela quanto elas. Quase que as vejo sorrir, escondendo-se entre as pétalas, numa valsa lenta. Gostava de ser assim. Ser livre. Ser eternamente deste mundo, um mundo sem tempo ou movimentos furtivos. Não há dor no que vejo. E invejo-as, fazendo-me despertar, por tal sentimento, por equipará-las ao mundo real, ainda que ligeiramente atordoado. Nunca soube de alguma borboleta que chorasse. Limitam-se a viver, a fazer parte desta fantasia floral. Começam por não aparentar qualquer beleza quando nascem, para mais tarde se envolverem nos finos fios, que tecem lentamente, para poderem renascer. Pudesse eu, ainda lagarta, renascer como elas. Assim também eu seria livre.
Fecho os olhos e encosto-me ao enrugado tronco da grande e majestosa árvore. Sinto a fragrância do florescer da eterna paz invadir-me, provocando-me alguma sonolência. Até a respiração acalma e o coração descansa. Todo o meu corpo parece querer levitar. Sem se mover, tenta alcançar as nuvens de algodão que flutuam sobre si. Afinal já não quer ser borboleta, mas sim andorinha, para poder fugir do frio Inverno sempre que este ameaça aproximar-se. Poder viver numa eterna primavera e imortalizar os sonhos.
Volto a abrir os olhos. Continua tudo igual. Seguro num Pom-Pom Campestre e sopro-o para o céu azul. Observando os seus pequenos fragmentos seguirem a suave brisa que os guia, para que possam também renascer, tento aprender algo com eles. Inspiram-me. Tal como ele, também os sonhos, que, por vezes, julgamos terem sido destruídos, devem ser levados pelo tempo, ainda que dispersos em estilhaços, até que encontrem novas forças para renascer. Diferentes, talvez, mas com outra força, com outra vida. Na natureza, na vida, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Sábias palavras de Lavoiser, que agora recordo. É como a lenda da Fénix, que renasce das cinzas.
Decido abandonar este santuário por agora. Tenho saudade de ver o rio. Felizmente é perto e não terei de andar muito. Sigo as pegadas da memória. Conheço bem estes caminhos. Quase que os posso percorrer de olhos fechados seguindo o meu instinto. As silvas, pelas quais vou passando, estão carregadas de amoras, que protegem com os seus espinhos. Atrevo-me a roubar alguns destes frutos proibidos para que os possa degustar enquanto não alcanço o meu desejo. A vida também é como estas silvas. Temos de passar por espinhos, ultrapassá-los evitando que estes nos firam. Por vezes há um ou outro que nos é cravado, mas vale sempre a pena. O resultado é o doce fruto da concretização que, quanto mais difícil for chegar até ele, melhor irá saber. As amoras estão quentes, parecem pequenos corações. Talvez o sejam, corações que a natureza me entrega, para que não me sinta só. Este sim, é o amor genuíno, que não magoa, apenas quando chega a hora de partir. Mas não me vou preocupar com essa triste imagem por agora. Sei que ainda falta. Estou preso na eternidade, enquanto caminhar por estes trilhos escondidos, rodeado de flores e pinhais. A música é o balançar dos ramos, o cantar dos pássaros e das cigarras, os meus passos, a minha respiração e o suave batimento do coração. Esta sim é perfeita. Embala-me, fazendo o corpo esquecer as suas limitações físicas e quase flutuar até ao rio.
Já consigo ver o velho barco que se encontra na margem. Sempre o vi ali, parado, preso com a mesma corda de sempre, velha, mas robusta. Sento-me nele, fazendo-o baloiçar suavemente. Imagino como seria bom poder descer o rio nesta pequena embarcação. O rio parece coberto de cristais reluzentes, que ondulam. Vejo-me descer este rio de prata, vagarosamente, sem remos, sem leme, até onde ele me quiser levar. Não temo o meu destino. Afinal, sei que posso confiar-me, deixar-me ficar, nos seus braços. Uma suave brisa faz-se sentir. Sinto-a aproximar-se, pelo movimento das folhas das árvores que me fitam nas margens. Ao passar por mim, liberta-me de todos os fantasmas que ainda residiam na minha alma. E é como se me nascessem asas de luz, entregando-me a liberdade e a paz que sonhei em noites escuras e frias. Sinto-me mais leve que o próprio ar. Um novo “eu” renasceu. Está na altura de levantar voo. Abandono o velho barco, e sigo o meu instinto. O rio afasta-se devagar. Agora consigo visualizar todo este imenso mundo, o verde puro que se ergue para o azul, tentando tocar-lhe. Inspiro todo este etéreo mundo que se reflecte nos meus olhos. Vejo novas cores criarem-se. O céu tinge-se agora de tons laranja e rosa. Vejo-o esconder-se, descendo para trás das montanhas. Olho à minha volta. Tudo parece adormecer com ele. E, lá ao longe, vejo-me encostado à velha figueira, abraçando-me como quem abraça a vida.
Abro os olhos. Foi apenas um sonho, ou talvez algo mais. Já está a escurecer, mas não importa. Hoje bebi mais um pouco da doutrina deste mundo. Às estrelas, enquanto a Lua não se faz surgir, conto tudo o que aprendi. E elas ouvem-me, como sempre ouviram os meus desabafos. Também o ser humano devia ouvir. Mas não ouve, limita-se a praguejar as suas desgraças, culpando a má sorte, quando, na verdade, ele é o verdadeiro culpado do seu próprio fado. Levanto-me e acaricio a grande árvore. Conhece-me melhor que ninguém. Quase que a oiço respirar e sorrir para mim, ternamente. Despeço-me. Sei que, quando voltar, ela ainda ali estará, à minha espera, como sempre esteve.
Trabalho para a cadeira de Técnicas de Expressão Escrita I
Elaboração de um texto lento (de 4 páginas)

terça-feira, janeiro 01, 2008

Sailor Moon - Goodbye, My Lover

Para ti, ainda que a dor que me dás pareça eterna e a as lágrimas me ardam na alma.
Feliz 2008...

segunda-feira, dezembro 31, 2007


Sufoco

A noite consome-me a vontade de ser
E como uma maré afasta-me da margem,
Para o mais profundo e negro pensamento
Que alguma vez em mim surgiu,
Afundando-me no medo de viver.

E o corpo treme e vacila
Com o sufocante batimento do desespero,
Enlouquecendo a razão que resta em mim
Porque ousei o capricho de amar!

Rasgo a pele para que não me dê
Aos prazeres obscuros do desejo
E cravo na carne as palavras obscuras,
Para que não tas entregue;
Não quero ser igual aos outros.

Pudera eu arrancar o coração,
Consumido pelo fogo insano,
E espremer todas as vontades
Até que nada restasse deste enredo…

Peço apenas que na morte,
Se a pobreza alheia não o impedir,
Queimem este meu corpo,
Libertando a alma e suas memórias
Das correntes de toda uma vida.

terça-feira, dezembro 11, 2007


Vulgaridades

Hoje vi morrer um ser
Insignificante para uns,
Mas motivo de inspiração
Para os que vivem na emoção
De viver todos os dias
Como o primeiro do Mundo.

O Sol mostrou-se tímido,
Arrefecido pelo suave vento,
Gélido como as pessoas;
Fazia rodopiar as folhas
Despidas das árvores adormecidas
Pelo decorrer do velho tempo.

Foi nesse instante que vi,
Entre as dançantes folhas,
Uma pequena borboleta
Que ziguezagueava solitária
Numa luta persistente,
Confundindo-se em tons castanhos;

Observei-a por momentos,
Invejando a força e determinação,
A audácia de ser pequena,
De ser livre, em cores outonais!
Pudera eu um dia ser como ela,
Encanto de alma inocente…

Mas tudo o que é puro
Tem no Mundo um destino de morte.
E que má sorte a deste ser
Que tão pequeno enfrentou
A máquina criada pelo Homem
Sofrendo a tragédia esperada.

Da antiga graciosidade
Nada restou – desapareceu
Deixando o rasto sinistro
Da pureza devassada
Pela artificialidade humana,
Acontecimento já vulgar.

Ninguém a chorou ou notou;
A esta gente tudo é indiferente
Quando é pouco o sangue derramado;
Não dá conversa de escada
Nem exalta a curiosidade.
É apenas silêncio e cegueira.

sexta-feira, novembro 09, 2007


Suspiro Vegetativo

Sinto-me cansado de tanto cinzento.
É esta cor cinzenta, feita de pedra
Que me rodeia e se inclina cobre mim
Como se me quisesse derrubar.

E como se não fosse de mais,
Nesta densa praga doentia
Ouvem-se gritos, ruídos tenebrosos,
Ensurdecedores de qualquer raciocínio!

Aqui até o ar pesa e o vento suja;
A chuva queima nesta selva infernal
Onde tudo é fútil e artificial!

Somos súbditos do tempo
Numa corrida de rotina desenfreada,
Esgravatando na sanidade por dinheiro.

Insano, vagueio neste assombro
Buscando um pouco de vida
Que não tenha sido corrompida
Por este estranho e sinistro sistema;

Até o escasso verde que encontro
Me cheira a fantasmas de plástico!
Não fosse o original causar alergias,
Porque o que sobrevive parece repugnar…

Talvez um dia a nossa Mãe se zangue
E mostre que a lábia do Homem não chega
Para mudar o castigo merecido;

Os avisos já não bastam a estas almas,
De tão loucas que se tornaram;
Já nem medo sentem – são vegetais.

sexta-feira, novembro 02, 2007


Com quantas cores se pinta um sonho?

Com quantas cores se pinta um sonho?
Deixo que a minha alma se tinja,
Trespassada pela vida de um arco-íris.

Tenho sede, sede de mar, sede de amar,
De molhar os pés na água salgada
E envolver-me na espuma das ondas,
Esperando que o meu corpo se dissolva
Para fazer parte da sua imensidão.

Misturam-se as cores em tons suaves,
Tons de azul cor-de-céu-e-mar,
A areia morna do sol, o branco das ondas;
Começam a diluir-se em traços e curvas
Numa grande tela vazia.

Preciso de ar, ar de floresta densa,
Respirar e sentir esta dança,
Dança de aromas puros e virgens;
O toque suave do vento nas flores:
Cores que voam, fadas talvez…

Misturam-se as cores em tons vivos,
Cores silvestres que se diluem
Com a suavidade do mar
Numa cumplicidade intensa,
Preenchendo a grande tela sonhadora.

O sonho é de todas as cores do arco-íris
Numa mistura pura que cria o elo
Entre a alma, a fantasia e a vida:
Uma ponte, parte de mim para um todo,
Até onde eu conseguir sonhar!


Possível Fórmula da Vida

Pergunto-me numa noite sem lua,
De ventos despertos e alma nua:
Com que gestos se cria a vida
Para além da concepção já conhecida?

Há quem lhe atribua origem divina,
Outros, pela complexa ciência;
Mas o que há para lá do orgânico?

Quero ser criança novamente
E imaginar a fórmula secreta:

Dar-lhe-ia um pouco de fantasia,
Um sorriso sincero todos os dias
E algumas nuvens passageiras,
Para crescer e aprender
A ultrapassar as barreiras;
Para que nada viesse a faltar
Curiosidade para o mundo explorar;
Uma flor, um momento a desfrutar;
Amor, alguém para abraçar;
O mar, o horizonte, o respirar;
A paz, a força para o mundo mudar;
Esperança, para nunca desistir sem lutar…

Tantas coisas juntaria nesta receita,
Mas a imaginação já é pouca
E nem sempre nos ficam os traços de criança;
Sobraram hoje apenas alguns minutos…

sexta-feira, outubro 19, 2007


Já cheira a Outono nas ruas de Lisboa.
O aroma suave a castanhas assadas
Envolve-nos os sentidos gulosos;
Ainda que de aspecto tosco de carvão
(que não lhes retira o bom gosto)
Fazem as delícias de uma tradição inflacionada.

segunda-feira, outubro 08, 2007


Murmúrios

Existe sempre algo cujas palavras não chegam
Para descrever um simples momento
Cuja complexidade depende de como o olhamos,
De como o vivemos e sentimos,
Do valor que damos ao tempo.

Não tenho como traduzir a ansiedade
Que me enfraquece a razão;
É como sentir quatro paredes fecharem-se
Lenta e dolorosamente em torno do meu coração,
Impedindo-me de respirar, sufocando-me;

Sinto-me sufocar a cada segundo
De um relógio sem corda,
Mostrando-me a solidão que envolve a alma
E a sela num corpo inconsciente e pesado
Sem asas para voar…

Podia projectar um rio de água cristalina,
Uma flor repleta de cor e vida,
Uma ponte que levar-me-ia para o outro lado,
Um sonho de criança
Ou um sopro de fantasia e esperança;

Mas diante destes olhos de vidro
Vejo a lama e o lodo,
O luto da morte,
As ruínas, o medo e a insegurança;
Murmúrios perdidos numa mágoa vã…

segunda-feira, setembro 24, 2007


Agonia Mímica e Muda

Vejo nestes olhos a alma profunda
Reflectida nas sombras da noite;
Vejo-me perdido neste espelho
Num género de solidão – o vazio.

É a saudade da própria inocência,
Um espírito que pede clemência
Gritando dentro do meu peito:
Gritos mudos e mímicos…

Eis que o sonho se perde na floresta
Densa e escura – chora, foge da besta
Que reside algures na mente inconsciente
Como um anjo ridículo e mortal;

Ergue a face molhada para a lua;
Pérolas que caiem como orvalho
Nas pétalas das flores serenas…
Esconde a dor para que ninguém a veja!

É por esta fraqueza que o corpo reclama
Ou se deixa lentamente morrer,
Para que não sinta a agonia de viver
Sem a antiga força, sem aquela chama…

quarta-feira, setembro 05, 2007


O Meu Funeral


Mas que trágico para um jovem como eu, que completou apenas os seus 20 anos, pensar no momento após a sua morte. Não me julguem doido ou sinistro, apenas pus-me a pensar, enquanto o sono não vinha, como seria após o fim da minha vida. Irei então descrever como imaginei o meu funeral e o meu enterro, caso morra novo, em tempos próximos.



Quem entrar na sala poderá sentir o doce aroma do incenso oriental que estaria a arder perto do meu caixão, em dois potes cheios de areia e cinzas. Estes poderiam ser grandes e pequenos, desde que se mantivessem ao nível do caixão. Juntamente com o incenso, músicas que relembram a natureza iriam envolver todo o espaço, suavemente, transmitindo paz para quem entrasse na sala.
Não iriam encontrar a trivial sala escura, mas sim uma sala bem iluminada e arejada, decorada em tons claros. A separar a câmara de convívio daquela onde estaria o meu caixão estariam grandes cortinas brancas e leves presas com fitas azuis turquesa.
Ao aproximarem-se no meu caixão, poderiam ver-me adormecido, vestido de branco com um manto azul-marinho, descalço, segurando um ramo de lírios brancos, presos com fitas de várias cores: azul-bebé, rosa-bebé, amarelo, laranja, vermelho e cinzento, com um grande laço em fita vermelha no centro. Todo o interior do caixão estaria forrado a branco com areia e conchas perdidas no fundo e algumas pétalas de rosa.

Regras para quem quiser ir ao meu funeral:

1- Ir vestido em tons claros e simples (nada de preto ou cores escuras);

2- Não chorar desalmadamente ou evocar por mim;

3- Ir com uma fita no pulso, correspondente à ligação que tem para comigo:

Azul-bebé – pai
Rosa-bebé – mãe
Amarelo – familiar
Laranja – amigo
Vermelho – quem amei antes de morrer
Cinzento – conhecido

(nota: em alguns casos poderão levar pais que uma fita; ex: um familiar com o qual tivesse uma relação de amizade levaria uma amarela e outra laranja; um familiar com o qual eu não tivesse muita ligação levaria amarela e cinzenta, etc…)

4- Não fazer do funeral um arraial ou uma sala de tricô;

5- Não beijar, acariciar ou mexer no meu corpo morto.

Gostaria também de ser enterrado num cemitério bonito, com jardim. As regras para o enterro serão as mesmas do funeral e, no momento antes de taparem o caixão, quem quiser, não atira terra como se costuma fazer, mas pétalas de flores. Não quero que ninguém veja o caixão a ser coberto de terra, pedia que os presentes se fossem embora antes de tal acontecer.
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Bom, e assim termino a descrição de como gostaria que fosse o meu funeral e enterro. Tentei fazê-lo de forma simples para não se tornar um texto muito longo.
Há quem pense em muitas coisas antes de dormir, nas contas que tem para pagar, no dia que teve, no dia seguinte, no jantar, etc… Eu tenho pensado nisto, nas últimas noites. É estranho, mas não é de todo desagradável, até tem o seu lado engraçado. Pergunto o que diria um psiquiatra…








segunda-feira, agosto 27, 2007


Eu, o sonho e a vida

Eternas me pareceram as noites
Que percorri na ânsia de encontrar
Algo cuja memória já não alcançava;
Procurava incessantemente o nada,
Perdido como um naufrago em alto mar.

Vejo hoje a alvorada resplandecente,
Coberta de vida e algo mais,
Algo que não poderei traduzir por palavras,
Apenas o coração e a alma o sente.

Quero ser mármore branco!
Esculpir-me com as mãos que inventei,
Sem esquecer que a perfeição
Não é mais que uma ingénua ilusão
De quem vive para os outros,
Os mesmos que nos irão esquecer…

Não poderei ser eu
Sem aprender a ver o encanto
Perdido no que dizem ser feio;
O olho que não vê por receio
Perde-se no que é superficial,
Na camada exterior,
A mesma que esconde a verdadeira essência.

Quero ir além das aparências!
Dar forma aos sonhos,
Libertar-me das amarras do preconceito
Sem recear do que os outros pensam
Para que não hajam barreiras
Entre mim, o sonho e a vida…

quinta-feira, agosto 23, 2007


Noite de Mudança

Esta noite não irei sonhar;
Procurarei aquele sono profundo
Tão meu como a dor de acreditar
Que um dia serei parte deste mundo.

O mundo gira e cresce,
Gira de novo e envelhece;
O mundo é a peste
De quem nele nasceu
Simplesmente para morrer…

Esta noite não irei chorar
O eterno sal das tempestades;
Não me deixarei embater neste mar
Tão negro, tão frio como lajes.

O mundo gira e torna a girar,
Sempre igual, sempre diferente;
Gira de novo, finge que é gente,
Albergando a hipocrisia
Coberta por uma suave mentira.

Esta noite irei selar as mágoas
Para que nesta vida criança
Passem outras cores, outras águas…
Esta é a hora da mudança!

O mundo gira mais uma vez
E aceita fados sem porquês;
Gira louco e vão
Sem alma ou coração.
Enquanto gira, eu ficarei atento…

…talvez aprenda algo…

terça-feira, agosto 14, 2007

O Sem Nome

Eu sou um sem nome,
Viajante das terras adormecidas
Onde sonhos e mórbidos pesadelos
No segredo habitam;

A solidão levou-me
Por memórias esquecidas
E mostrou-me os medos
Que aprisionara na escuridão.

Perco-me por labirintos obscuros
Traçados pelo fracasso de uma vida vã;
Apenas se ouvem sussurros
De almas sem amanhã…

Caminho pela noite negra,
Sem lua, sem estrelas,
Sem luz, sem esperança
Nem presságios de bonança…

Eu sou aquele que se perdeu,
Vagabundo e louco,
Na fé de outros tempos
E que agora se deixa morrer;

Lembro quem me prometeu
Da vida mais um pouco
Que breves momentos;
A promessa de renascer…

A chama ardente
Lentamente se afoga
Nas cinzas humedecidas
Pelas lágrimas perdidas!

Eu sou um sem nome,
Ser do esquecimento,
Aquele a quem o amor repugna
Pela dor e sofrimento…

domingo, julho 29, 2007


Um Novo Dia

Tantas foram as noites
Que em pranto tentei esquecer;
Frias e sem lua,
Noites feitas para sofrer.
Soubesse eu escutar
Os murmúrios do vento fugitivo
Para a minha dor atenuar
E libertar-me das amarras impostas
Pela loucura do amor…

A noite é sempre longa,
Mas não eterna;
Surgem no horizonte,
Tão distantes, tão longínquos,
Pequenos raios de luz
Que atravessam
Lentamente
O mar negro
E trespassam a densa floresta,
Tingindo-os de vida.

Não, não era o sol.
Volto a fechar os olhos;
É a loucura que me engana os sentidos!
Outra ilusão feita de crueldade,
Mais um espinho de aço que me fere;
Esvaio-me em sonhos,
Sinto-os cair, dissolvidos em lágrimas,
Fazendo germinar mais amarras,
Mais espinhos…

O condenado perdeu-se
O condenado espera pela morte
Deixai-o para que o medo o consuma
Deixai-o morrer na terra fria e escura
Venda-lhe os olhos
Venda-lhe o espelho da alma


O silêncio da noite absorve-me.

Oiço algo distante
Aproxima-se;
Talvez seja a morte,
Talvez me venha aliviar a dor…

Sinto as amarras desfazerem-se
E o meu corpo elevar-se
Sacudido pelo vento forte;
Não tenho frio,
Algo me segura a mão e me aquece.
Não vejo, deixo-me permanecer no silêncio
Entregando-me ao cansaço.

Desperto estendido no chão;
Levanto-me e deixo cair o pano negro
Que me vendava os olhos.
Não sei onde estou!
Quem és?
O teu corpo, banhado pela lua,
Aproxima-se serenamente;
Aconchegas-me,
Seguras novamente a minha mão
E observas-me silenciosamente.

De nada valem as palavras
Apenas o momento


Os teus lábios tocam nos meus,
Sinto o seu doce sabor;
Uma onda de calor atravessa o meu corpo
Enquanto sinto a graciosidade do teu toque
Onde estou?

Não interessa onde, não estás só

Não quero acordar,
Quero sonhar eternamente.

Não é um sonho…

Posso agora ver o nascer de um novo dia
E com ele renascer, sonhar e viver…
Sinto a voz do vento segredar-me ao ouvido:

Sente de novo os teus sonhos
Segue-os
Não estás só
Nunca mais…

sexta-feira, julho 27, 2007

Fruits Basket - Happy Times!

Um sonho pode sempre renascer
Das cinzas presentes de outrora
Onde uma chama o fez morrer
No passado vestido de negro.

Ainda há quem diga que é sorte;
Coisa de fracos e pobres almas.
A força que nos move para a vida
É apenas nossa, não de sortes falsas…

sexta-feira, julho 20, 2007


Água e Sal

É nas sombras que criei,
Com a tua fiel ajuda,
Que agora me perco
Em devaneios e arrependimentos.

As angústias são a minha fome,
Pela crueldade de ser, hoje,
Alguém indiferente
De quem esqueceu que sou gente.

Foram tantos os sonhos
Que te lembrava todos os dias
E tu docemente sorrias
E enternecias-me a alma…

Agora seguro uma vida,
Em mãos trémulas e frágeis,
Sentindo a mudança horrenda
Feita dos meus medos.

Perde-se a inocência,
Os sonhos, a fantasia, a alegria!
Ficaram-me o medo e o vazio,
Inundados de água e sal.

terça-feira, julho 17, 2007


Adeus à Liberdade

Hoje digo “adeus” à liberdade…
Estranha palavra enleada
Pelos finos fios de fantasia
Que tecem a trama da utopia;
Brilha, cintilante, para os olhos cegos
De um povo embrutecido pela ganância.

quarta-feira, julho 04, 2007

AMV - In My Mind

Ainda que a memória seja traiçoeira
E se desvaneça no escuro esquecimento
Jamais irei esquecer de ti
A ternura de cada momento
Em que enlaçámos em suspiros
O amor e a cumplicidade

sexta-feira, junho 29, 2007


Numa Noite Escondida

Numa noite escondida
Solta-se um suave sorriso
Que rapidamente se dissolve
Entre emoções ingénuas
Trazidas pela cúmplice descoberta…

Ouvem-se sussurros discretos
Que denunciam a verdade;
Os corpos vacilam de desenho,
Mas não há contacto de pele,
Apenas palavras soltas…

…são como estrelas no céu!

Até onde poderei trocar sonhos
Numa distância de medos,
De vazio e de ausência?
Pudera eu ganhar asas
Iguais às tuas, fortes,
Para te poder alcançar…

…ser teu na eternidade.

Não poderei ser como desejo
Porque a alma sofre amordaçada,
Esperando que, um dia,
O conto de fadas se realize
Como que por magia…

quinta-feira, junho 28, 2007



Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade
- Sigmund Freud -
~ COMENTÁRIO ~

A escolha deste livro, Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, de S. Freud, deveu-se à curiosidade que o mesmo me suscitou. Já tinha ouvido alguns comentários relativos ao mesmo, que diferenciavam consoante o locutor. Havia quem fundamentasse os seus argumentos, relativos à sexualidade, com algumas ideias deste livro, assim como quem o repudiasse.
É sem dúvida um livro interessante e de fácil leitura. Freud preocupa-se em nos transmitir as suas ideias num discurso simples, onde nos explica cada palavra científica ou termo que utiliza. Contudo, tive bastantes dificuldades em resumi-lo, visto que aparenta já ser um resumo e pela complexidade de informação.
Concordo com algumas das teorias apresentadas por Freud, como os impulsos parciais e as zonas erógenas, alguns aspectos da sexualidade infantil, nomeadamente a masturbação, a teoria da libido e algumas das transformações da adolescência a nível sexual.
Por outro lado, discordo e acho totalmente obsceno algumas das ideias de Freud, talvez por influência social da minha parte.
Começando pelo próprio título do primeiro ensaio, há algo que cria, na minha consciência, uma certa repulsa contra o que li de seguida: “aberrações sexuais”. Um homossexual não pode ser visto como uma “aberração sexual”, ou intitulado como “invertido”, ou como um “desvio” dos padrões do que chamam de “normal”. Gera-se, portanto, uma pergunta óbvia: o que é ser-se “normal”? Talvez a resposta, aos olhos de Freud ou da maioria das pessoas, seria: um comportamento que estivesse de acordo com a maioria dos indivíduos numa dada sociedade, com as “normas” estabelecidas por esta. Ainda assim acho um termo muito grosseiro para intitular um comportamento tão antigo e tão comum nos dias de hoje. Também acho absurdo afirmar que os nevrosados têm fortes tendências para serem homossexuais. Esta afirmação generalizadora pode levar-nos a pensar que, numa ordem inversa, grande parte dos homossexuais sofrem de problemas psíquicos graves. No meu entender, um homossexual tem tantas hipóteses de sofrer de algum problema a nível psicológico como qualquer heterossexual.
Outro dos aspectos em que discordo de Freud é pelo facto de ele transformar as crianças em seres detentores de uma evolução sexual perversa. A criança surge como um ser livre de toda a sua inocência. Quando Freud afirma que a criança busca o seio da mãe para obter prazer, tanto a nível alimentar como sexual. Penso ser perfeitamente natural que uma criança demonstre que está a sentir prazer por estar a chuchar no seio da mãe, mas não a nível sexual. Se a criança apresenta determinadas necessidades e se tem fome, tal como um adulto terá prazer quando satisfizer essa necessidade alimentar ou de ternura, que é o colo e o aconchego maternal.
Por fim, discordo quando Freud afirma que a educação dos rapazes por pessoas do sexo masculino pode originar o desenvolvimento da homossexualidade, assim como o facto de um dos pais desaparecer. Conheço pessoas homossexuais diferentes que foram educados apenas pela mãe ou por outro elemento feminino, apenas pelo pai ou por outro elemento masculino, tanto pelo pai como pela mãe, ou por outros familiares. Torna-se muito difícil estabelecer um padrão que possa ter originado a homossexualidade.
Para todos os efeitos, é importante salientar que muitas das teorias de Freud têm a sua razão de ser e que são, na minha opinião, verdadeiras. Não nos podemos esquecer que o pensamento da época em que viveu era diferente do actual e que tudo o que fugia aos padrões da “normalidade social” era considerado como uma “aberração”. Daí que estudiosos actuais tenham outra visão distinta, nomeadamente no que diz respeito à homossexualidade.

quarta-feira, junho 27, 2007


Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade
- Sigmund Freud -

~ CONCLUSÃO ~

Freud termina o seus três ensaios sobre a teoria da sexualidade com uma conclusão em que faz um breve resumo de tudo o que havia sido tratado anteriormente, explicando alguns conceitos como factores que podem conduzir a perturbações no desenvolvimento, constituição e hereditariedade, elaboração ulterior, recalcamento, sublimação, experiências acidentais, precocidade, factor tempo, perseveração e fixação.
Termina o seu livro confessando que as suas investigações sobre a vida sexual formaram uma teoria incapaz de explicar suficientemente os caracteres normais e patológicos da sexualidade.

sexta-feira, junho 22, 2007


Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade

- Sigmund Freud -

~RESUMO~

[3ª parte]

3

As Transformações da Puberdade

Com o início da puberdade surgem transformações que conduzirão a vida sexual infantil à sua forma definitiva e normal. É dado agora um novo fim sexual, na realização do qual todos os impulsos parciais cooperam, enquanto as zonas erógenas se subordinam ao primado da zona genital. Este novo fim sexual determina também evoluções sexuais divergentes.

I – O primado das zonas genitais e o prazer preliminar
O desenvolvimento dos órgãos genitais fazem com que estes possam ser postos em actividade, por meio de excitações que podem nascer de três formas diferentes: ou provêm do mundo exterior pelo estímulo das zonas erógenas, ou procedem do interior do organismo por caminhos ainda desconhecidos, ou têm por ponto de partida a vida psíquica que se apresenta como um reservatório de impressões exteriores e um posto de recepção para as excitações interiores. Estes mecanismos manifestam-se por sintomas de ordem psíquica ou somática.
As zonas erógenas servem para criar, em consequência de uma excitação apropriada, uma certa soma de prazer, ponto de partida do acréscimo da tensão que, por sua vez, deverá fornecer a energia motora necessária para o acto sexual.
Segundo Freud, o prazer preliminar apresenta um certo perigo, relativo à realização normal do acto sexual, visto que pode tornar-se excessivamente grande enquanto a parte de tensão permanece excessivamente fraca.

II – O problema da excitação sexual
Quanto à origem e natureza da tensão sexual que acompanha o prazer no momento da satisfação das zonas erógenas, Freud admite que o prazer e a tensão sexual não estão ligados de uma forma directa, mas sim indirecta.
Existem indícios que permitem estabelecer uma conexão entre a tensão e os produtos genitais. O aparelho genital, ao longo da vida, liberta-se dos produtos genitais por períodos variáveis, mas com alguma regularidade; durante a noite, é comum realizar-se uma descarga acompanhada de uma sensação de prazer no decurso da alucinação de um sonho, representativo de um acto sexual. Para explicar este processo, Freud afirma que é possível sermos levados a pensar que a tensão sexual existe em função da acumulação de esperma nos reservatórios. Visto que quando as reservas seminais estão esgotadas não se consegue obter prazer, verifica-se que é necessário um certo grau de tensão sexual para que as zonas erógenas possam entrar em estado de excitação. Para todos os efeitos, estes comportamentos não podem ser consideradas em crianças, mulheres ou em homens castrados.
A parte intersticial das glândulas genitais produz matérias químicas de um carácter particular que levam certas partes do sistema nervoso central a um estado de tensão sexual.

III – Teoria da libido
A libido é uma força quantitativamente variável que permite medir os processos e as transformações no domínio da excitação sexual. Para além de um carácter quantitativo, a libido apresenta um carácter qualitativo.
Através da análise das perversões e das psiconevroses, Freud chegou à conclusão que a excitação sexual não provém unicamente das partes genitais, mas de todos os outros órgãos. Forma-se, então, a noção de uma quantidade de libido cujo representante psíquico seria aquilo a que se designa por a libido do eu. Uma vez que a libido do eu não é acessível à análise assim que se apodera de objectos sexuais, quando se torna libido objecto, Freud concluiu que seria necessária a concentração na libido objecto.
A libido do eu, destacada dos seus objectos, fica suspensa em condições particulares de tensão e reentra no eu. A transformação da libido do eu ganha importância quando se trata de explicar perturbações profundas de natureza psicótica.

IV – A diferenciação dos sexos
É no período da puberdade que se vê aparecer uma distinção nítida entre o carácter masculino e o carácter feminino. O desenvolvimento das inibições sexuais realiza-se muito cedo nas meninas, encontrando menos resistência que nos rapazes. Estas têm uma maior tendência para o recalcamento sexual. No entanto, a actividade auto-erótica das zonas erógenas é a mesma para os dois sexos.
A puberdade, que no rapaz leva ao grande impulso da libido, é caracterizada na rapariga por uma nova vaga de recalcamento, sendo que o que é recalcado é um elemento da sexualidade masculina. Este recalcamento sexual leva a que tenham as zonas erógenas mais insensíveis.

V – A descoberta do objecto
Durante o período de latência, a criança aprende a “amar” outras pessoas para que possa ver satisfeitas as suas necessidades. Esse “amor” é o reflexo das relações estabelecidas com a mãe durante o período de aleitamento, onde o objecto sexual era a sucção do seio materno. O facto da criança se mostrar insaciável na sua necessidade de ternura dos pais é, segundo Freud, um dos melhores presságios de um nervosismo interior; por outro lado, serão os pais nevropatas que, pelas suas carícias, despertarão na criança as predisposições para as nevroses. São estes comportamentos que mostram a hereditariedade das nevroses de pais para filhos.
É formada na criança uma barreira contra o incesto na medida em que, apesar de existir a predisposição da criança em escolher as pessoas que amou, a maturidade sexual ganhou tempo para edificar esta barreira através dos preceitos morais. Contudo, nos casos de psiconevrose, a actividade psicossexual em busca do objecto permanece no inconsciente.
Aquele que evitou uma fixação incestuosa da sua libido não fica, por isso, liberto da sua influência. Daí ser comum que, na primeira escolha de um objecto sexual, o adolescente escolha algo à imagem da sua mãe ou do seu pai.
Apesar da influência exercida pela sociedade, o homem pode ganhar tendências para a inversão. Esta é explicada por Freud no sentido em que o jovem, na sua infância, se tenha despegado muito cedo da sua mãe. Nos casos em que um dos pais desapareceu, a criança incide todo o seu amor na pessoa que lhe ficou. Existem também os casos em que é observável a não concretização da fase de Édipo, em que a criança cria uma certa hostilidade para com o elemento paterno.

quarta-feira, junho 20, 2007



Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade
- Sigmund Freud -
~ Resumo ~
[2ª parte]
2
A Sexualidade Infantil
I – O período de latência sexual durante a infância e as suas interrupções
Ao nascer, a criança trás consigo predisposições sexuais que evoluem durante algum tempo e que, depois, sofrem uma repressão progressiva, interrompida por surtos regulares de desenvolvimento ou paragens em consequências das particularidades do indivíduo.
Durante o período de latência criam-se inibições sexuais, causadas pela educação de uma sociedade civilizada. É natural que as tendências sexuais da criança continuem a existir no período de latência, mas que sejam desviadas para o seu uso próprio e aplicadas a outros fins.

II – As manifestações da sexualidade da criança
A criança pode manifestar comportamentos sexuais através da sucção ou do auto-erotismo e, em alguns casos, o puxar e agarrar o lóbulo da orelha de outra pessoa. O acto de chupar absorve toda a atenção da criança, adormece-a e pode mesmo levá-la a ter reacções motoras, numa espécie de orgasmo. Tal faz com que as crianças passem, muitas vezes, da sucção à masturbação.

III – O fim sexual da sexualidade infantil
O fim sexual do impulso da criança consiste na satisfação obtida pela excitação apropriada da zona erógena que a mesma elege como sendo a que mais lhe dá prazer estimular. O fim da sexualidade é substituir a sensação de excitação projectada na zona erógena por uma excitação exterior que a acalme e crie um sentimento de satisfação.
A zona erógena pode mudar consoante os conhecimentos fisiológicos adquiridos.

IV – As manifestações sexuais masturbatórias
A situação anatómica da zona anal torna-a própria para apoiar uma actividade sexual sobre uma outra função fisiológica. As frequentes perturbações intestinais das crianças alimentam, nesta região, um estado de excitabilidade intensa. As crianças que utilizam a excitabilidade erógena da zona anal revelam-se na retenção das fezes, fazendo com que a acumulação das mesmas provoquem contracções musculares intensas que, ao serem repelidas, provocam excitação. Um sinal de um futuro comportamento bizarro de carácter ou nervosismo é quando a criança, sentada na bacia, se recusa a expelir as fezes para obter, assim, um maior prazer. A retenção das fezes resulta na obstipação, frequente nos nevrosados.
Existem três fases* na masturbação infantil. A primeira corresponde ao período de aleitamento, no qual a criança obtém prazer quando mama no peito da mãe, um prazer que vai para além da satisfação alimentar. A segunda ao curto período de desenvolvimento da actividade sexual, por volta do quarto ano. Nesta, o onanismo do lactente parece desaparecer após um certo período e, quando persiste até à puberdade, pode dar origem a um desvio importante no desenvolvimento do indivíduo. Durante esta segunda fase da criança, a excitação sexual do período de aleitamento volta. O renovamento da actividade sexual está submetido a influências determinantes, endógenas e exógenas.
A criança, em consequência de uma sedução, está predisposta a actos perversos, que encontram resistências psíquicas. Nestas circunstâncias a criança comporta-se com o sedutor como se não tivesse, ainda, sofrido influências da civilização.
Por muito predominante que seja o papel desempenhado pelas zonas erógenas, compreende componentes que a levam a procurar, desde início, outras pessoas como objecto sexual. Entre estas componentes, Freud menciona as que levam as crianças a gostarem de ver e a serem exibicionistas, assim como o impulso para a crueldade. A criança, livre de pudor, mostra, nos anos da primeira infância, um prazer em descobrir o seu corpo e, em contrapartida, curiosidade em procurar ver as partes genitais de outra pessoa.

(* a terceira fase corresponde à puberdade)

V – As investigações sexuais da criança
Na época em que a vida sexual da criança atinge o primeiro grau de desenvolvimento (do terceiro ao quinto ano) começa a surgir o início de uma actividade provocada pelo impulso de procurar saber, não dependendo este exclusivamente da sexualidade. A sua actividade corresponde, por um lado, à necessidade de domínio e, por outro lado, utiliza como energia o desejo de ver.

VI – Fases do desenvolvimento da organização sexual
A primeira organização sexual é a pré-genital, na qual as zonas genitais ainda não impuseram o seu primado. Nesta fase, a actividade sexual não está separada da ingestão dos alimentos. Numa segunda fase pré-genital, sádico-anal, o elemento activo parece constituído pelo impulso de domínio, ligado à musculatura, e o passivo será representado pela mucosa intestinal erógena.
Segue-se a ambivalência, a qual pode substituir e exercer o seu domínio durante toda a vida.
A escolha sexual será feita em dois tempos, por dois surtos. O primeiro surto começa entre os dois e os cinco anos, ficando suspensa por um período de latência, caracterizando-se pela natureza infantil dos fins sexuais. O segundo surto começa na puberdade e determina a forma definitiva que a vida sexual há-de tomar. O adolescente não pode fazer a escolha de um novo objecto sexual senão depois de ter renunciado aos objectos da sua infância e quando uma nova corrente sensual aparecer.

VII – As fontes da sexualidade infantil
As investigações realizadas por Freud sobre as origens profundas da sexualidade demonstram que a excitação sexual nasce: pela reprodução de uma satisfação experimentada em relação com processos orgânicos não sexuais; por excitação periférica das zonas erógenas; pelo efeito de certos impulsos cujas origens são desconhecidas, como os impulsos de ver e de crueldade.
As zonas erógenas encontram-se mais ou menos por toda a epiderme. As sacudidelas e os movimentos rítmicos, provocam excitações diferentes, daí as crianças gostarem de certos jogos, como o baloiço, de serem embaladas para adormecer e até mesmo andar de transportes. A actividade muscular exercida livremente é, para a criança, uma necessidade da qual tira um prazer considerável. Muitas pessoas verificam que sentiram uma primeira excitação do aparelho genital durante as lutas corpo a corpo visto que, para além da tensão de todos os músculos, veio juntar-se a acção excitante dos contactos da pele do adversário. Este comportamento pode também dar origem a um impulso sádico.
Os processos afectivos também se reflectem na sexualidade ao atingirem um determinado grau de intensidade, assim como o trabalho intelectual.



Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade

- Sigmund Freud -



Irei apresentar, em diferentes post's, um resumo detalhado desta obra e respectivo comentário. Fiz este trabalho para a disciplina de Psicologia, o qual foi classificado entre os melhores de toda a turma e o melhor resumo da obra em si. O resumo está dividido por ensaios e respectivos capítulos. Espero que gostem.

~ RESUMO ~



1

Aberrações Sexuais

I – Desvios relativos ao objecto sexual
Freud intitula os homossexuais de invertidos, apresentando três tipos de inversão: os invertidos absolutos, cuja sexualidade tem como objecto sexual indivíduos do mesmo sexo; os invertidos anfigénios, mais conhecidos como bissexuais, cujo objecto sexual pode variar entre indivíduos de ambos os sexos; os invertidos ocasionais, sendo esta determinada pela ausência de um objecto sexual normal ou pela influência do meio.
A inversão pode manifestar-se desde muito cedo, fazendo com que não nos lembremos de quando se manifestou pela primeira vez, ou até mais tarde, podendo durar toda a vida ou ser momentânea. É também visível uma certa oscilação entre o objecto sexual normal e o objecto sexual invertido. A libido orienta-se muitas vezes para a inversão após uma experiência dolorosa feita com um objecto sexual normal.
A inversão, inicialmente, foi considerada como sintoma de uma degenerescência nervosa congénita, devendo estas duas afirmações serem julgadas separadamente. Segundo Freud, apenas podemos falar em degenerescência quando se encontra a inversão em indivíduos que não apresentam outros desvios graves ou em indivíduos cuja actividade geral não é perturbada, e cujo desenvolvimento moral e intelectual pode mesmo ter atingido um grau muito elevado. Também considera a inversão como sendo congénita, nos invertidos absolutos, mas devido ao facto de existirem outros dois tipos de inversão, também podemos admitir que esta é adquirida. Para todos os efeitos, nenhuma explica a sua natureza. Para a primeira hipótese, teríamos que admitir que a inversão é inata, ou seja, que existiria, ao nascer, um instinto sexual já ligado a um determinado objecto sexual. Na segunda hipótese coloca-se a questão de saber se as diferentes influências acidentais bastariam para explicar o carácter adquirido.
Na inversão não podemos admitir a teoria do hermafroditismo somático, visto que, em alguns casos, estão presentes caracteres de virilidade. Para explicar a inversão Freud aponta duas ideias a reter: temos de contar com uma disposição bissexual; não sabemos, porém, qual o seu substrato anatómico. Trata-se de perturbações que modificam o impulso sexual no seu desenvolvimento.
Nos invertidos, a criança pode tornar-se o seu objecto sexual quando este se torna cobarde e impotente, não sendo um comportamento exclusivo dos mesmos.

II – Desvios relativos ao fim sexual
Considera-se como fim sexual normal a união das partes genitais no coito, levando à resolução da tensão sexual e, por algum tempo, à extinção do impulso. No processo sexual mais normal encontram-se germes cujo desenvolvimento conduzirá a desvios que são descritos pelo nome de «perversões». As perversões consistem em fenómenos de duas ordens: transgressões anatómicas quando às partes destinadas a realizar a união sexual; paragens em certas relações intermediárias que, normalmente, devem ser franqueadas rapidamente para atingir o fim sexual.
As transgressões anatómicas são a «superestima do objecto sexual», o «uso sexual das mucosas bucais», o «uso sexual do orifício anal», os «substitutos impróprios do objecto sexual; feiticismo».
A fixação dos fins sexuais preliminares são a «formação de novos fins sexuais», «tocar e olhar o objecto sexual», «sadismo e masoquismo».

III – Generalidades sobre as perversões
Com o estudo das perversões, podemos ver que o impulso sexual deve luta contra certas resistências de ordem psíquica, sendo as mais evidentes o pudor e o desgosto. Um certo número de perversões estudadas apenas podem ser comparadas supondo a acção conexa de muitos factores.

IV – O impulso sexual dos nevrosados
Segundo a psicanálise, as psiconevroses (histeria, nevrose obsessiva) devem ser relacionadas com a força dos impulsos sexuais. A energia do impulso sexual constitui uma parte das forças que alimentam as manifestações patológicas, sendo também a mais importante fonte de energia da nevrose e a única que é constante. Um histérico sofre de um recalcamento sexual que ultrapassa a medida normal, sofre de uma intensificação no desenvolvimento das forças que se opõem ao impulso sexual (pudor, desgosto, concepções morais). Um indivíduo predisposto para a histeria torna-se histérico quando, depois da puberdade ou por efeito de circunstâncias exteriores, as suas exigências sexuais se fazem sentir de forma premente. Tal resulta num conflito que o levará à transformação das tendências sexuais em sintomas mórbidos.
Segundo Freud, em todos os nevrosados verificam-se, no inconsciente, veleidades de inversão, uma tendência em fixar a libido numa pessoa do seu sexo, assim como uma tendência para as transgressões anatómicas que se traduz em sintomas mórbidos.

V – Impulsos parciais e zonas erógenas
Freud designa “impulso” como sendo o representante psíquico de uma fonte contínua de excitação proveniente do exterior do organismo. Este encontra-se no limite dos domínios psíquico e físico. A fonte do impulso encontra-se na excitação de um órgão e o seu fim será a satisfação orgânica.
A importância das zonas erógenas como aparelho genital secundário (cavidade bucal e orifício anal) é notável, de forma particular, na histeria.

VI – Explicação do aparente predomínio da sexualidade perversa nas psiconevroses
Existem variantes no comportamento reverso dos nevrosos. Por vezes, o que caracteriza a nevrose é o nível inicial da disposição perversa, outras vezes será o nível atingido pela continuidade de uma derivação colateral da libido.

terça-feira, junho 19, 2007


Noites de Lisboa

Quantas noites viveu Lisboa,
Noites de boémia e loucura
Onde gerações se cruzam
Numa mistura de cores, álcool e música?

Foram tantas que já lhes perdeu a conta
De tão embriagada que estava…

São ruas de chão negro,
Negro como a noite,
Onde se atropelam sobras
Que riem sem saber a razão,
Entre vómitos, urina e lixo
Que fermentam nas esquinas.

Já não é o fado que se canta,
Choroso ou corridinho,
De portas abertas em nostalgia lisboeta;
São outras estranhas melodias,
Mais sensuais ou agressivas
Que se expressão em movimentos corporais
Bem vestidos (ou despidos) por sinal.

São noites de desejo sagrado…

Nestas noites de pecadores
Joga-se com a loucura,
Com o excesso e com o sexo
Fugaz e sem preconceitos.

quarta-feira, junho 13, 2007

Princess Tutu - Hold Me

A Dor de uma Fada

Pobre fada que danças
Nas sombras da inocência,
Numa eterna melancolia
De graciosidades vãs

Que crime cometeste
Para merecer tal castigo?
Terá sido pela beleza
Cobiçada pelo Mundo?

Porque não te soltas
Dessas cruéis amarras
Que te ferem a alma?
Queimaram-te as asas!

Pobre fada, abandonada
Por um povo que não sonha…

domingo, junho 10, 2007

Olá!
Venho informar que, muito em breve, estarei de volta. Pois é, as férias estão quase a começar, já só faltam os exames, mas entretanto virei cá dar notícias. Em princípio, na quarta-feira, já dou provas de vida.

Desculpem a minha ausência...

sábado, abril 07, 2007

Kotoko-Wing My way-anime mix(Summer Colors of Anime)

No vento primaveril,
coberto pelos aromas ainda frescos,
deixo fluir as palavras adormecidas de outrora...
Um sonho, uma vida...

O tempo parou para alguém
a quem, o que realmente interessa,
é a simplicidade de existir
e renascer todos os dias.

E sempre que as sombras insistirem
em cobrir o brilho de cada estrela,
tentarei que o sopro da esperança
acenda o lume da mudança…

terça-feira, março 20, 2007

A IMPORTÂNCIA DA POESIA



A poesia marca uma linha temporal e o pensamento da época em que foi escrita. Só assim sabemos, através de versos e estrofes infindáveis, o que se sentiu numa determinada época, num determinado espaço de tempo.
Com a poesia contamos uma história, o heroísmo ou a derrota, e imortalizamos um acontecimento com a beleza de versos poéticos. Como afirma Miguel Torga, a poesia é de todos, é para todos.
Usando as palavras de Pessoa, mais propriamente, de Ricardo Reis, “a poesia é uma música que se faz com ideias” que traduzimos por palavras. Ao ler um poema conhecemos o sentimento da época em que foi escrito e “abraçamos” a sua história. Com ela podemos ter momentos de intelectualização das suas palavras, dos seus versos, ou apenas o gozo e o prazer da sua leitura, escutando a musicalidade da mesma.
A poesia pode, portanto, ter uma importância meramente lúdica, ou superior. Ajuda-nos a compreender as ideias, os pensamentos e os sentimentos das diferentes épocas em que foram escritas. Tem também um grande valor para o poeta, que expia os seus dramas interiores ou a sua própria rebeldia revolucionária para a poesia.
Escrevi este texto numa dissertação proposta para um teste de Português. Esta valia 80 pontos e eu obtive uma classificação de 78 pontos.
Relativamente aos trabalhos anteriores que aqui publiquei: FOBIAS - Bom; Resumo e Comentário da obra "Inventem-se Novos Pais" - 17 valores.
Peço desculpa pela minha ausência, mas tem-me sido impossível dar mais atenção ao "Mundo Blogger".

quinta-feira, março 08, 2007

Aquilo que escrevo

Quem sabe que palavras escrevo
Sobre o papel amargo da vida?
Palavras que ferem sem medo
De quem as lê – são intocáveis.

Perdem-se na liberdade de um momento,
Na simplicidade, ou mais rebuscadas,
Marcam uma história, uma linha no tempo,
Onde se imortalizam ou se deixam morrer.

Certamente, as minhas morrerão!
Não têm a glória dos antigos lusitanos!
Se ao menos me pudesse repartir,
Fragmentar-me como Pessoa o fez,
Talvez atingisse a tão desejada perfeição…

O que escrevo, em mãos trémulas e verdes,
De nada valerá, nem mesmo ao anoitecer;
Será sempre sombra para os olhos alheios…

sexta-feira, março 02, 2007

Fobias

As fobias afectam uma em cada dez pessoas, tanto jovens como idosos e podem derivar de acontecimentos isolados na infância. As mais frequentes são as que dizem respeito aos animais, elementos naturais, meios de transporte, sangue, agulhas, situações sociais e espaços fechados.
Fobia é o temor ou aversão exagerada perante situações, objectos, animais ou lugares. A fobia caracteriza-se pelo pavor desmedido de quem a tem, que mesmo sabendo do carácter ridículo ou inofensivo dos seus medos, não consegue controlar-se. Muitas pessoas sofrem de vários tipos de fobias simultaneamente; mas, felizmente, alguns tipos de fobias já podem ser tratadas com procedimentos psicológicos adequados.
As fobias provocam reacções físicas intensas. Assim que um indivíduo é confrontado com o medo, as pulsações aumentam rapidamente, fazendo com que o sangue seja bombeado para os músculos. Este processo faz com que o indivíduo possa tomar dois procedimentos de ordem primitiva: a fuga ou o ataque.
As fobias não são genéticas, ou seja, não se transmitem de pais para filhos. Podemos herdar a tendência para sentir medo, através de observação comportamental. Este é um comportamento também de ordem primitiva, onde aprendemos a recear aquilo que ameaçou a nossa sobrevivência como espécie, observando os que nos rodeiam. O mesmo estilo de comportamento aplica-se aos animais. Estas podem, também, ser o resultado de uma obsessão.
Existem várias formas de tratamento de fobias. Uma delas é confrontar, de forma gradual, o indivíduo, vítima de uma fobia, com o seu medo, encorajando-o a ultrapassá-lo. Outra é confrontar o indivíduo, de forma extrema, com o seu medo. Este último visa a que, quando este atinge o seu estado máximo de ansiedade não poderá subir mais, fazendo com que o medo possa vir a descer gradualmente, assim como a ansiedade.
Os grandes causadores do grande número de indivíduos com fobias que temos nos dias de hoje são o stress e a elevada competitividade presente actualmente. Essa competitividade excessiva fomenta medo e insegurança. Ao fim ao cabo, este sentimento não é mais do que um mecanismo de defesa básico que nos protege e assegura a nossa sobrevivência.

Realizei este trabalho sobre fobias para a aula de Psicologia. Isto é apenas a síntese do mesmo.

quinta-feira, março 01, 2007

Mickey 3D - Respire

Approche-toi petit, écoute-moi gamin,
Je vais te raconter l'histoire de l'être humain
Au début y avait rien au début c'était bien
La nature avançait y avait pas de chemin
Puis l'homme a débarqué avec ses gros souliers
Des coups d'pieds dans la gueule pour se faire respecter
Des routes à sens unique il s'est mis à tracer
Les flèches dans la plaine se sont multipliées
Et tous les éléments se sont vus maîtrisés
En 2 temps 3 mouvements l'histoire était pliée
C'est pas demain la veille qu'on fera marche arrière
On a même commencé à polluer le désert
Il faut que tu respires, et ça c'est rien de le dire
Tu vas pas mourir de rire, et c'est pas rien de le dire
D'ici quelques années on aura bouffé la feuille
Et tes petits-enfants ils n'auront plus qu'un oeil
En plein milieu du front ils te demanderont
Pourquoi toi t'en as 2 tu passeras pour un con
Ils te diront comment t'as pu laisser faire ça
T'auras beau te défendre leur expliquer tout bas
C'est pas ma faute à moi, c'est la faute aux anciens
Mais y aura plus personne pour te laver les mains
Tu leur raconteras l'époque où tu pouvais
Manger des fruits dans l'herbe allongé dans les prés
Y avait des animaux partout dans la forêt,
Au début du printemps, les oiseaux revenaient
Il faut que tu respires, et ça c'est rien de le dire
Tu vas pas mourir de rire, et c'est pas rien de le dire
Il faut que tu respires, c'est demain que tout empire
Tu vas pas mourir de rire, et c'est pas rien de le dire
Le pire dans cette histoire c'est qu'on est des esclaves
Quelque part assassin, ici bien incapable
De regarder les arbres sans se sentir coupable
A moitié défroqués, 100 pour cent misérables
Alors voilà petit, l'histoire de l'être humain
C'est pas joli joli, et j'connais pas la fin
T'es pas né dans un chou mais plutôt dans un trou
Qu'on remplit tous les jours comme une fosse à purin
Il faut que tu respires, et ça c'est rien de le dire
Tu vas pas mourir de rire, et c'est pas rien de le dire
Il faut que tu respires, c'est demain que tout empire
Tu vas pas mourir de rire et ça c'est rien de le dire
Il faut que tu respires (x4)

Se continuar-mos com o desleixe que temos tido até agora para com a Natureza, talvez um dia não tenhamos mais nada se não algo arteficial…