segunda-feira, outubro 06, 2008

Miragens Incompletas


Tenho gelo nas mãos e o fogo no corpo, mas nada sei do que é ser gente.


Sou o mar e o seu infinito;
A espuma salgada e quente:
Sede de me afundar inconsciente
Na gargalhada de ser menino.

Sou a Lua e o negro céu
Com pirilampos que pairam em fantasia
Sobre sonhos e memórias de um dia
Em que de medos se soltou o véu.

A flor queimada com lágrimas de fada
Num cenário de mármore frio
A arranhar a temperança da alma
Num túmulo abandonado e vazio.




Nada disto é ser gente. É qualquer coisa imaginada. O gelo derrete nas mãos e fere os dedos finos. Um dia serão enrugados e secos. O fogo vacila a sua chama sem ter por onde arder. Um dia gelará, perdendo-se na neblina da madrugada.


Cantaram deuses e ninfas embriagadas
Entre danças e desejos descuidados;
Esfomeados infortúnios, coisa pouca,
Deram vida a uma mente louca.

Embriagado de sonhos que a vida entoa,
Dança de olhos serrados e corpo suado
(quente e salgado, tanto que enjoa).




A música atenua os meus sentidos e o corpo estende-se no mar azul. Apetece sentir a areia fresca e o calor do Sol. Os cabelos molhados e o gosto salgado na pele e nos lábios.

BEIJA-ME!

O rádio a tocar, e o corpo balança na gravidade da Lua. Quero gargalhadas e gelados de caramelo e chocolate intenso; uma esplanada cheia, um pôr-do-sol e as estrelas.


Estou a dormir consciente:
O céu é púrpura que se move
E na mesma não sou gente,
Apenas um grito de fome;
Rasgos de infância criativa
Com lápis-de-arco-íris
E nuvens brancas numa folha…

…mas, por vezes, cinza apenas…


Agora quero repousar naquele mundo que inventei em tempos ingénuos. Quero nuvens de algodão, um Sol a sorrir, árvores mais altas que as casas (brancas, com telhados triangulares e vermelhos), flores de todas as cores e andorinhas a voar, vindas das montanhas




Tacteia-se no nervoso miudinho
A criatura medonha de expressão vazia
E num sorriso rasgado de histerismo
Não se reconhece sem a fantasia;

A chuva arranha a janela
E ela grita e rasteja pela casa
Com as paredes a derreterem
Na sua própria cara.


No fim são apenas miragens. Quase se tocam – cruzam-se em silêncios inconscientes com a verdade. Farão de mim gente? Apenas algo omnipresente. Aquela vontade de ser um e não dois para depois criar algo mais.

Em mim, nem as miragens se completam.

quarta-feira, outubro 01, 2008



A Velha Verdade

Reconheci a verdade num dia em que me perguntaram se estava de luto. Agora já não sei dormir.

Vesti-me de negro, um manto de noite.

Pausa para um cigarro molengão e aquela música que já não estranho. Mas o tempo não parou. Nunca pára, apesar da sua bipolaridade.

Penso que todos os olhos de todas as ruas me seguiam, ainda que num paço sempre rápido. Ignoro. Talvez não ignore, estou a mentir. Intriga-me terem tempo para seguir viagens alheias. Pobres que não sabem ler, e os que sabem não querem sujar as mãos de negro e cinza.

Agora preferem pólvora e sangue.

Já não estou habituado a sair de casa sem música constante. Não suporto o reboliço da cidade em hora de ponta, as conversas provincianas nas paragens e nos transportes públicos, as abordagens inoportunas, tudo.

A música oferece-me a exclusividade própria e cansa-me menos.

As pessoas cansam e são mesquinhas, odiosas numa elevada percentagem. Consumidas pelo tempo, odeiam a vida que construíram e praguejam a má sorte e o sucesso dos outros, que nunca lhes parece genuíno. Anseiam a tragédia e o crime passional a fermentar na calçada.

Desta vez, a verdade4 vestiu-se de homem velho, enrugado, com vestes debutadas e um boné que lhe escondia o olhar. Parou nas horas mortas e observou-me a alma:

Temos futuro doutor?

(Sorri) Não.

(Aproxima-se mais um pouco) E advogado? Tem ar de quem estuda direito.

(Estou cansado) Também não. Jornalismo”

(Ficámos frente a frente) Vai pela vocação. É jovem, mas não se deixe perder em sonhos fantásticos.

Depois ensinou-me o que sabia sobre fazer jornais e que, na verdade, já não restavam muitos jornalistas, apenas escritores furiosos, operários, ou operadores de escrita, ou uma elevada percentagem de gente frustrada no desemprego.

Sorriu para mim, escondeu os olhos profundos com a pala do boné e afastou-se, acenando de costas voltadas. Desejou-me boa sorte.

Desapareceu…

Há quem possa afirmar que era um pobre velho senil, ou que foi apenas um delírio meu. Não me importa a verdade dos outros. Que seja eu o louco se for mais fácil para alguns. Não foi sempre a loucura uma desculpa para o que é diferente?

Não quero ser a sombra dos outros… Quero apenas voltar a adormecer…

sexta-feira, setembro 19, 2008

http://www.youtube.com/watch?v=NhL-U6D4nRw

Para aqueles que se perderam nas encruzilhadas da vida. Para os que esqueceram.

Eu não esqueço as palavras, ainda que magoem na ausência de quem as disse.

-
Step one you say we need to talk
He walks you say sit down it's just a talk
He smiles politely back at you
You stare politely right on through
Some sort of window to your right
As he goes left and you stay right
Between the lines of fear and blame
You begin to wonder why you came

CHORUS:
Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

Let him know that you know best
Cause after all you do know best
Try to slip past his defense
Without granting innocence
Lay down a list of what is wrong
The things you've told him all along
And pray to God he hears you
And pray to God he hears you

CHORUS:
Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

As he begins to raise his voice
You lower yours and grant him one last choice
Drive until you lose the road
Or break with the ones you've followed
He will do one of two things
He will admit to everything
Or he'll say he's just not the same
And you'll begin to wonder why you came

CHORUS:
Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

CHORUS:
Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life
How to save a life
How to save a life

CHORUS:
Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

CHORUS:
Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life
How to save a life

quinta-feira, setembro 18, 2008


Apetecia-me beijar a poesia dos teus sentidos
e correr as paginas do teu corpo

sorver cada palavra escondida em cada poro.

quarta-feira, setembro 17, 2008


Horas mortas

Estasiam-me as horas mortas
Suspensas na cidade de cristal
Com sinos a tocar e pombas
E ratazanas e um rio imundo.

As pessoas são a negra expressão
De fingir a vida todos os dias;
Sombras entre o fumo e o pó
E os mendigos sujos de crude.

As pessoas morrem suspensas
Na cidade de cristal empoeirada
Com pombas a defecar nos sinos
Silenciosos nas muralhas.

E se olho para o céu de hoje
Farejo a cor morta de um azul
Imundo como o rio que o beija,
Como o crude e os mendigos.

Sobeja o aço quente de sangue;
O vermelho carregado que seduz
É dos lábios e escorre nas mãos
Que as pessoas piamente beijam.

A cidade de cristal tem sinos
E pombas e ratazanas e mendigos
E um rio imundo e fumo e pó
E sangue quente e aço e crude!

As horas mortas suspensas
São das pessoas perdidas
Que defecam dentro das muralhas
Fechadas, sombrias e silenciosas.

terça-feira, setembro 16, 2008

Praia da Memória

Encontrei-te perdido no entardecer das palavras
Guardadas numa caixa de música partida;
No céu púrpura das praias que nos olhos levavas,
Carregados de sal, com odor a maresia;

Deixas na areia as pegadas errantes,
Apagadas pelas vagas da tua fraca memória
Como o canto das sereias do tempo distantes.
Toda uma longa e enfadonha história…

Nessa praia encontrei um barco encalhado:
Os restos de uma tempestade rasgada
Na mente… Obscuras tentações do mero acaso
De quem viu a sua alma ser pelo medo levada.

Suspiro a clandestinidade para não provar
O veneno dos sentidos falsos e fáceis
E brindo à loucura de saber sonhar.
É uma questão de desmitificar os desejos selvagens.

A noite arrefece com o sopro salgado do mar
Sem um corpo quente; apenas a lua e os astros
A enternecem. Mais não deve faltar.
Não mais que fingimentos enclausurados;

E o vento carregado de vozes velhas e sinistras
Canta a minha loucura consciente
De ambicionar diferentes perspectivas de conquistas.
Serei simplesmente um ser demente?

A falésia – escura, perigosamente apetecível.
Sem farol. Há um farol, mas em ruínas inúteis.
Tudo o que é ruína é inutilmente inesquecível
Até aprendermos que na verdade são úteis:

Subo-a para abraçar o vento e as coisas vivas
Que guardo dentro de mim e de olhos serrados
Tacteio o encanto e a perdição das vertigens
Procurando no vazio os sentimentos roubados.

Sentir é agora o choque das gélidas águas,
O sangue a pulsar devagar nas veias,
Projectar no corpo a fantasia das fábulas
E esperar ser encontrado por míticas sereias.

Mas despertam os gritos das gaivotas
Que comem o peixe podre que o Homem largou
Junto do barco que se perdeu nas rochas
Ao encanto da vida que a loucura levou.

Rems

Não serão os sonhos uma imagem inconsciente da realidade?

segunda-feira, setembro 15, 2008


Dói-me o corpo
Porque dancei sem fôlego
Dói-me o corpo
Porque me cansei
De ti

Não grites para a porta fechada
Que ela não te ouve
Não chores a flor queimada
Que já morreu velha
Por ti

domingo, setembro 14, 2008


Ser mais que qualquer coisa

As palavras que trago
Todas fechadas dentro de mim
São de ódio, são de medo
São de tudo, são de nada
São a memória queimada
Do desejo consumido
Não são de gente alguma

Quem mas quer libertar?
Talvez a alma insana
De um qualquer desconhecido
Vencido da guerra mundana
Seja a vontade, seja o sangue
Seja um simples «porque sim»
Mas que seja mais que um suspiro

segunda-feira, setembro 08, 2008

Vício Obsessivo

Silêncio!

Nada – expressão do vazio
Prestes a colidir com a loucura

O sol cega-me
As palavras secam nos lábios
Sedentos

Quero beber dessa fonte
Da tua
Até se cansarem as línguas
Irrequietas

O sangue quente
Prestes a explodir
Dentro de mim
Dentro deste meu corpo
Sem graça ou melodia

E no fim
Banhar-me de lua e mar
Arder com o teu fogo
Viciante dependência
No silêncio do teu olhar
Penetrante

sexta-feira, setembro 05, 2008


Desejo de expressão

Tenho um nó na garganta;
as palavras rasgam-se dentro de mim
e o sangue é ácido que corrói;
tenho sede de tudo e de nada:
- Um grito oprimido no desconhecido…

As palavras não saem!
Estão presas nas entranhas de pedra;
serão um dia pó ausente
quando morrerem ao meu desejo,
ao desejo de ser gente…
... ao desejo de expressão

quinta-feira, setembro 04, 2008

Attack of the Otaku

Um pouco de energia e cor para animar os dias mais cinzentos.

Neko-chan, este é para ti ^_^

Hope u enjoy

Happy times and happy days

quarta-feira, setembro 03, 2008


Foge menina loira

Corre perdida nas entranhas da avenida
A rapariga loira de virgindade perdida;
Foge das sombras, foge da vida
Foge da inocência a pobre menina.

As ruas cheiram a sangue e a suor,
Cheiram a sexo sem qualquer pudor.
O vómito fermenta com a urina
Como a loucura da loira menina.

Menina, pobre menina assustada,
Deixas pegadas de sangue na estrada!
Segue-te o vilão sem coração
Para que te ajoelhes e lhe beijes a mão.

E se te apanhar obrigar-te-á a casar
Para teu corpo afagar e o ventre rasgar
No chão, contra a parede, na cama,
Mas de puta não terás a dita fama.

Foge menina loira, que teu corpo apetece:
É quente e suave, quase enlouquece!
Foge desta cidade de prostitutas,
Foge da morte fácil se és astuta.

segunda-feira, setembro 01, 2008


Enquanto a Lua não surgir

Temo agora os gestos e as palavras
Que envolvo em sílabas desconhecidas
De um idioma que não é meu.

Por que me afundo em incertezas
Feitas de areia e barro?
Com quantas mãos me moldo?

Faço da noite o manto com que me envolvo
E espero pelo nada,
Pela morte de uma qualquer estrela.

E enquanto a Lua não surgir
Não serão belas as ondas
Nem branca a sua espuma.

domingo, agosto 31, 2008

Perdidos e Achados

Perdi-me nestas ruas submersas
Sem as palavras que me sussurravas
Discretamente ao ouvido atento
A todos os encantos dos dialectos
Que tecíamos ao sabor do vento.

Perdi-te naquela ponte abandonada
Sem as ternuras e aventuras
Com que construíamos história
Para toda uma vida condenada
A não ser mais que uma memória.

Perdemos aquela canção de amor,
As danças e as serenatas
Sob a lua e suas infinitas estrelas
Restando apenas a culpa e a dor
De quem navega num barco sem velas;

E hoje que não fazes parte do presente
Perco-me em saudades e vontades,
Em desejos e sonhos apagados,
Afogando o coração carente,
De mim, de ti e de tempo…

sábado, agosto 30, 2008

O meu corpo num ritmo incerto:
O mármore tosco e sem brilho
Por fracas mãos esculpido
Na cegueira do desespero;

E estes olhos de terra
Mais não são que a janela aberta
Para a fonte da fantasia;

Meios lábios anseiam a doçura apimentada
Que apenas os deuses conhecem:
De ti (do teu gosto) carecem,
Mas no Olimpo te escondes.

O teu corpo – num gesto discreto:
Do melhor mármore criado,
Pelos deuses sabiamente trabalhado
À melhor luz do mundo;

E esses olhos de mel,
São doces mas sabem a fel!
Quase que matam de tentação;

Teus lábios de gosto agridoce
Ainda meus sonhos fazem delícias,
Mas o corpo pede carícias
Que no tempo se perderam…

(Mas)

Farei das mágoas as pedras
Para erguer o meu tributo,
Das lágrimas o encanto das fontes
E dos medos medonhas feras,
Guardiãs deste meu túmulo.

sexta-feira, agosto 29, 2008


O calor desta cidade consome o corpo
Que seguras na sombra dos deuses;
Tudo é pedra, pó e doces perfumes,
Tudo aqui é Sol com uma brisa suave.

A língua que não entendo dá-me fome
Vontade de a provar e ser do fascínio,
E os corpos, a mitologia num presente
Tão comum como a pasta intensa.

Quantos sabores queres degustar?
Saboreia-os nos meus lábios secos
E mata esta cede que tenho de ti:
Sejamos como Marte e Vénus no Olimpo.

quinta-feira, agosto 28, 2008

DIÁRIO DE BORDO
- VENEZA - ROMA -
Veneza, não tenho muito para dizer sobre esta cidade. Despertou o pior de mim, talvez não estivesse preparado para a conhecer. Os poucos dias que permaneci fechado nas suas ruas, cercado pelos canais, fizeram-me sentir sufocado nas minhas próprias palavras.
Apanhei mau tempo, as ruas eram escuras e apertadas, perdi-me nelas. Depois a frieza das pessoas e a multidão que circulava, interrompendo o meu passo rápido. Apenas a Piazza S. Marcos e uma das grandes pontes de Veneza mas proporcionaram algum bem-estar e interesse.
A cidade que todos dizem gostar, aquela em que se projectam sonhos românticos, filmes e aventuras. A mim só me despertou a ansiedade de partir de volta para Roma.
Mais não direi, pois estaria a contaminar outras visões. Deixo, contudo, algumas das imagens que recolhi dos dias de Veneza e a última fotografia que tirei, já em Roma.


Lisboa - Roma - Veneza - Roma - Lisboa
fim

quarta-feira, agosto 27, 2008

DIÁRIO DE BORDO
- ROMA -
14 de Agosto de 2008

O último dia em Roma e o comboio aguarda este corpo reduzido ao cansaço pelo encanto e enriquecimento interior, essencialmente. O primeiro impacto com Itália, numa cidade que fazia (e continua a fazer) as minhas delícias mitológicas. Uma cidade quente e abafada, onde escasseiam as brisas a que estamos habituados em Lisboa.
As pessoas (que nos recebem e servem) são extremamente simpáticas e sorriem muito. Contam histórias, elogiam o bom gosto, servem com requinte e profissionalismo, sempre atentos aos pormenores.
As ruas movimentadas, com um misto de perfumes doces, ou terra batida aromatizada. Cantamos os cheiros de Lisboa, e poderei que dizer que Roma não fica atrás.
É, sem dúvida, apaixonante. As fontes guardam promessas de amor e oferecem desejos por caridade. O glamour de bem vestir e aqueles corpos que fazem lembrar as esculturas angelicais espalhadas pela cidade.
Abundam barraquinhas que remontam a tradição de servir diversas vontades. Vestuário, lembranças, fruta fresca e exótica assim como bebidas, sandes tostadas na hora e temperadas com ervas finas. O problema são os preços. Vi através do preço da água engarrafada (a qual não gostei, passando a beber apenas gaseificada). O preço mais elevado foram 4€ por 0,5 litros de água, e o mais baixo foi 1,50€ por 1,5 litros de água fresca.
O metropolitano e as suas estações escuras diferiam um pouco consoante as linhas A ou B. A linha A, apesar das estações serem rudimentares como as da linha B, as carruagem eram mais modernas e limpas.
Visitei diversos monumentos com estilo, época ou influência diferentes e cada um com a sua particularidade de magnitude e beleza indiscutíveis. As histórias. O regresso ao passado e a preocupação que este povo tem em preservar a sua história e de marcar aqueles que a fizeram. Vi muito e, ainda assim, tão pouco. Ficou tanto por descobrir, principalmente o interior dos monumentos e museus, visto que haviam sempre filas enormes para entrar. Talvez seja melhor visitar esta cidade em época baixa para um maior aprofundamento de cultura. Fiquei com uma ideia geral, mas fascinante, de Roma.

domingo, agosto 24, 2008

DIÁRIO DE BORDO
- ROMA -
13 de Agosto de 2008

Após o pequeno-almoço, o dia iniciou-se com uma peregrinação ao Vaticano. A afronta aos antigos deuses, que não teme erguer a voz aos céus, dizendo-se dono do tempo, do destino e da razão. Centenas de pessoas na sua devoção, esperando piedosamente por entrar por portas além da grande praça e respirar o mofo divino. O que mais me fascinou foi a grande “coluna” no centro, que servia, também, de relógio de sol gigante, com os pontos cardiais marcados em redor, no solo. Em redor, grandes candeeiros com torneiras na sua base, jorrando água de canos certamente abençoados. O Sol arde sobre nós, susceptível à ilusão das aparições.

- Vaticano

Como humanos, nem o Senhor nos priva das necessidades nutricionais, pelo que foi necessária uma paragem para o almoço. A escolha recaiu sobre o Restaurant Bar Giggi, do actor e gran chef Luigi Tondinelli. Como primeiro prato, uma deliciosa lasanha, forte em tomate. Para segundo, um delicioso prato de vegetais assados e salteados, com todos os sabores originais.
A minha segunda escolha turística foi o Castel Sant’ Ângelo, relativamente perto do Vaticano, pelo que, quem como eu não receia os caminhos pedestres, poderá ir a pé. É incrível o património de todo este povo, assim como a sua dedicação em preservá-lo. Caminhei em torno do castelo, que me fez lembrar um grande cilindro de pedra, achatado.

- Castel San’t Ângelo

Também as pontes que unem as margens do rio Tevere, talhadas pela criatividade e empenho da sua época. A que mais me fascinou foi a Ponte Sant’ Ângelo, adornada de anjos que seguem os viajantes que a atravessam.

- Ponte Sant’ Ângelo

Pelo caminho ainda me cruzei com o Palazzo di Giustizia, antes de chegar à Piazza del Populo. Esta última mostrava influências egípcias, com esfinges de mármore, fontes, um pilar com hieróglifos egípcios e estátuas que evocavam a história do povo romano.

- Palazzo di Giustizia (f2805-2810)

- Piazza del Populo (f2811-2826)

Apesar do cansaço, prossegui a minha caminhada, subindo uma escadaria escondida por trás da praça, que me levou até à viale Belvedere, um óptimo miradouro que, lém de nos oferecer uma bela vista com o Vaticano no horizonte, tem vários bancos de pedra à sombra, ideais para repousar.

- viale Belvedere

Após alguma medonha inspiração, continuei a minha caminhada até Trinitá del Monti e Piazza di Spagna. Como o corpo já reclamava descanso, a atenção foi reduzida, pelo que regressei ao hotel onde desfrutei de um relaxante banho de espuma com hidromassagem.

- Trinitá del Monti

- Piazza di Spagna

O dia deu-se por terminado com uma pizza de queijo e salpicão picante, um gosto intenso e ligeiramente acalorado numa fina massa estaladiça.

sexta-feira, agosto 22, 2008

DIÁRIO DE BORDO
- ROMA -
12 de Agosto de 2008

É sempre bom quando temos direito a pequeno-almoço nos locais onde ficamos hospedados. Além de obrigar a que nos levantemos a horas decentes, dá-nos um pequeno momento de conforto antes das aventuras turísticas.

- Pequeno-almoço no hotel: fatia de pão de forma com doce caseiro de frutos silvestres, salada de frutas, leite e café.

O primeiro destino foi o Colesseu. Grandioso, como não poderia deixar de ser. Por momentos, ao ver indivíduos vestidos de soldados romanos do antigo império, senti-me recuar no tempo. Quase que posso afirmar ter ouvido os gritos do povo sedento de sangue, espectador do esquartejar dos membros e ventre dos que não tinham nome, o rugir dos leões esfomeados, o metal das espadas a cruzarem-se e o bramir das cornetas. Mais uma vez, o ar quente, mas carregado de pó perfumado e o odor a terra batida. Tudo em redor, a magnitude do antigo império.

- Colesseu

- Arco di Constantino

- Foro della Pace / Foro di Nerva / Foro di Cesare

- Monumento a Vittorio Emanuelle II

Ainda senti o gosto de um panini servido numa das muitas bancas, espalhadas pela cidade. O pão quente, achatado e ligeiramente tostado, com uma omeleta recheada de queijo forte e de sabor intenso, alface, fiambre e ervas aromáticas. Acompanhei com uma coca-cola, o que deu a soma de 7€, aproximadamente. Puxado para comida de rua, mas estamos em Roma.

- Campidoglio

- Arco di Tito

- Mercato Traianei

- Colonna Traiana

Apaixonei-me por Roma. Pelos odores, pela história e pelos sabores apurados. Não esquecerei o paladar forte do Penne all’arrabbiata, um macarrão coberto de molho de tomate rico em ervas finas, cebola, muito alho e a magia de saber envolver todos estes sabores num todo magnífico. Segue depois a Saltimboca alla Romana, acompanhada de french fries, bifes de porco finamente cortados, cobertos de bacon e um expeço mollho de vinho branco. Para terminar, um cremoso gelado de chocolate. Os sabores são de requinte do restaurante Donati (menu turístico: 17€ por pessoa).A noite termina com música suave, roupa fresca e um martini branco, acompanhado de um cigarro adormecido.

quinta-feira, agosto 21, 2008

DIÁRIO DE BORDO
- ROMA -


11 de Agosto de 2008
Foi a minha primeira viagem de avião e a distância mais longa que percorri para além das fronteiras desta minha ocidental praia lusitana.A descolagem não foi muito complicada e a turbulência sentida durante o voo tornou a experiência mais interessante. Serviram sandes de panados de queijo e fiambre, salada de fruta, com bebida à escolha. Optei por uma coca-cola e, para terminar, um café. O restante tempo, até à dolorosa aterragem, ouvi música e li um pouco.

- Chegada a Roma: Fiumicino “airport”


- Viagem de Comboio para Roma Termini

- Hotel Alpi, via Castelifardo

- Caffé e Pasticeria U.Giuliani: Calzone, massa de pizza tostada, recheada com molho de tomate, fiambre e queijo, coberta de bacon e queijo. Cerveja. Preço por pessoa: 11,5€

- Basílica Sacro Cuore


- Fontana di Tritone


- Fontana di Trevi


- Templo Adriano


- Palazzo Montecitorio

O que guardo deste primeiro dia em Itália, Roma, são os tons laranja, castanho, amarelo e magenta das construções e edifícios, de traços rectangulares e portadas nas janelas. As ruas perfumadas com aromas doces, entre as flores e o tomate a refogar, as pequenas barraquinhas de vendas, desde gelados, sandes, bebidas, lembranças, entre tantas e variadas ofertas, todas semeadas por ruas e praças ao virar de cada esquina.
As estações de metro são escuras e rudimentares e o ar é tão quente como na superfície. Roma é uma cidade quente e abafada, e os sentidos começam a despertar.

sábado, agosto 16, 2008

AMV - A bitter song (Butterfly Boucher)

All I need is a bitter song
To make me better
Much better
All I need to write is a bitter song
To make me better
Much better

It found me to hold me
But I don't like it at all
Won't feed it,
Won't grow it
It's folded in my stomach;
It's not fair,
I found love;
It made me say that.
Get back,
You'll never see daylight;
If I'm not strong it just might.

All I need is a bitter song
To make me better
Much better
All I need to write is a bitter song
To make me better
I feel better
I feel better

quarta-feira, agosto 06, 2008


Some of my puzzle key


*
Amante ou amador?



Quanto mais penso no amor, maior é a complexidade das diferentes coisas que senti (e sinto) e que memorizei (recordo) de forma ingénua. Sim, é preciso ser-se ingénuo para poder amar. Não tomo a ingenuidade como um defeito, isto quando não elevada ao extremo, o que não é necessariamente o caso. E se o amante (aquele que ama) não se acha ingénuo, questione-se e questione o outro quanto à sua própria identidade.

**
Quem sou eu?

Eu assumo a minha ingenuidade. Como amante de quem escolhi, fui ingénuo. Na verdade, não fui eu que escolhi e também não fui escolhido. Aconteceu, como sempre acontece. Não se trata daquele dilema da virgindade roubada, outras pontes foram atravessadas e esperemos que mais encontre pelo caminho. Mas de todos os rios que atravessei, nenhum outro me mostrou tanta vida, tantos sentimentos, tantas emoções, tantos sonhos.

***

Destino?


Não sei se existe. Aterroriza-me a ideia de uma força maior. A ideia de seguir um caminho trilhado após o primeiro momento de existência ou mesmo antes. Cada passo de incerteza manipulada. Um passo, um sorriso – outro, uma lágrima – mais um, o desejo – tropeço, na fantasia – caio, a dor que não é física – levanto-me, e sigo o meu caminho. Ardem as feridas deste corpo suspenso por linhas invisíveis. E a alma não é de ninguém.


****

Gémeos e balança?


Duas faces, entre a Lua e o Mar. Oscila em pratos dourados, seguros pela cegueira. É desconcertante a mudança contínua de quem não sabe que as nuvens são feitas de açúcar e que a terra está coberta de espinhos. Ainda assim, as rosas brancas são mais belas quando manchadas de sangue. Quando um anjo cai no mundo dos vivos e tenta ser Homem, perde-se nas sombras e torna-se inconstante. Vive apenas nos sonhos que projecta à fantasia e à criatividade.

*****

Por que não esqueço?


As memórias seladas num olhar. Vejo todas as ruas pelas quais errei e aqueles com quem me cruzei. Os rostos e as expressões, as vozes que me invadem no silêncio. E sempre que me vejo é na 3ª pessoa e ela sorri para mim, ou chora comigo. Abraça o corpo despido sem qualquer pudor – conhecem-se bem. Depois consigo sentir na pele aquele toque marcante, nos lábios o gosto daquele primeiro beijo, a fraqueza e a ansiedade. Os batimentos cardíacos, a respiração, o calor.

******

Entre a carne e a alma?


As correntes são de prata e ferem-me sempre que tento libertar-me. Olhas-me silencioso e sem expressão. Chego a gostar da dor que sinto quando me puxas contra ti e rendo-me quando as nossas línguas se tocam. Deve ser do teu veneno. E enquanto percorres o meu corpo, que conheces melhor que ninguém, sinto o trespassar da lâmina, das costas ao coração, vezes sem conta, sarando quando a arrancas para que a possas cravar sempre que quiseres. Sei que gostas de provar o sabor da minha dor enquanto me consomes.


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Quantas são as palavras?


Faço do meu sangue a tinta e de um punhal a pena com que rasgo as palavras na minha pele. Soltam-se os gritos oprimidos num casulo de medos. A criança que se contorce enquanto o corpo ganha forma e a alma se expande aos limites do próprio ser. É um problema de expressão. A língua humana é limitada e confusa. Tantos signos para a mesma existência, um turbilhão de distinções sociais e culturais que só empobrecem a verdadeira essência. E ainda assim, é nelas que me escondo, liberto e defendo.

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Por quem sou?

Aprender um olhar leva tempo até que possa haver nele cumplicidade. O que vês nos meus olhos? Podes ver todo o mundo que me ajudares a construir. Não me mostres um quadro dizendo que é um espelho. Com que tintas me pintas-te? Com que cores? Tudo pela verdade. A partilha de um sorriso ou de uma lágrima é como um botão de rosa sem espinhos, e ambos o seguram. Aceitas o que vez? Eu aceito o que vejo e dou-te a sinceridade.


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Gosto de…?


Sentir o vento nos cabelos, o sol a queimar-me a pele e a chuva a embeber o meu corpo, para depois cair de uma falésia e envolver-me no mar banhado pela lua. Aquele sono profundo que me entrega aos sonhos com que me construo. Quero o prazer da solidão e o ruído de uma praia deserta. A música alta, um cigarro aceso, um copo cheio e o prazer dos amigos. Cheirar os perfumes das flores do campo e lançar-me nas nuvens brancas num céu azul. O mundo como um eterno prazer de tequila com sal e limão.

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Qual a verdade?


Procuro-me todos os dias. O que há para além do tempo? Não existo e tudo o resto é uma ilusão; a carne é apenas uma ilusão; os sentidos, o que é sentir? A diferença é condenada. Desintegro-me em grãos de areia, num espectro de loucura com um olhar insano. E tudo para me encontrar. Ser mais que fragmentos de algo inacabado. Ser um todo num só gesto. Abraçar o corpo, abraçar a alma, abraçar-me sem recear o futuro. Contudo ainda me sinto distante dessa realidade. Nem eu sei quem sou.

E para trás, o que restou? Um pouco de tudo, um pouco de nada. A loucura oferece uma visão que tenta a levantar questões tão complexas quanto insanas. E quanto mais questionamos, mais loucos ficamos. É um ciclo vicioso. Cada um vê como quer, outros fingem que vêm e outros fingem não ver. Eu simplesmente vejo. Agora, o que vejo, nem eu sei…

segunda-feira, julho 28, 2008


Espectros de Memória
Desperta o dia com promessas ancoradas num porto sem nome. As trevas afastam-se e até a sombra parece ter cor. Que mais poderia eu pedir que as ternuras madrugadoras? Aquele íntimo olhar e o beijo molengão. E enquanto tarda a preguiça, mais um abraço na clandestinidade de ser um só na partilha dos brancos lençóis que cobrem nossos corpos desnudados pelas carícias nocturnas. Ainda sinto o teu cheiro na minha pele e sobras de prazer.
Já se ouve o cantar dos pássaros e os primeiros raios de sol, que timidamente atravessam a janela aberta, fazem-me cócegas. As cores têm outra vida e a minha é feita de todas aquelas que conseguir inventar contigo.
Contudo ainda durmo. A ausência da tua respiração no meu ouvido diz-me que não tenho o teu abraço quente nem o teu forte batimento cardíaco. Chove lá fora e a janela está fechada. Não sei se já é dia ou se são as insónias. Apenas sei que não estás e isso enlouquece-me lentamente.
Saiu para a rua e, triste, deambulo na cidade, entre espectros de memória. Falta-me o teu jeito agridoce de ver o mundo.

sábado, julho 26, 2008


Deixa-me sentir o teu cheiro doce
E os lábios com o mel dos teus olhos;
Segue o corpo e vive em mim,
Nos sentidos, nas emoções, nos sonhos;

Rasga-me a pele que ferve às palavras
Soltas de desejo e pornografia discreta
Que a lua secretamente nos dá
À liberdade de uma janela aberta;

Sossega a brandura do momento
E às ilusões um sorriso ingénuo
Para que não te afundes em estranhos,
Para seres rei no teu império.

Song: A bitter song

Artist: Butterfly Boucher

Ouvir apenas, no silêncio dos sentidos

sexta-feira, julho 25, 2008

Vontades

Anseio o rebentar das ondas serenas contra este corpo de ninguém, percorrendo e salgando o mais íntimo prazer. Escalda de ironias e pinturas abstractas. É a linha do horizonte para o desconhecido. E a areia quente nos meus pés, a ferida aberta de uma rocha consumida pelo tempo, caída em esquecimento para os que não a querem ver.
Sinto o gosto salgado nos meus lábios: é quente, quente como o sangue. Mas não derrama, não quer tingir o mar que acaricia a nudez da minha alma. Já me envolvem os cantares ancestrais. As ondas rebentam, subindo e descendo num ritmo incerto, firme, seguido pelo vento que arranha nas rochas e nos cabelos molhados. É o canto das sereias.
O sol cega-me. Fecho os olhos e entro no desconhecido. Está fria – num suspiro de prazer. E assim que me abraça a cintura, as mãos recolhem este líquido e encostam-se aos ombros. Escorre pela pele e deixo-me unir à sua imensidão. Penetro-o sem receios e vou-me afundando. Só depois volto a abrir os olhos. A mente fica mais leve, o coração sossega e o corpo descansa. Podia morrer assim, na entrega da alma ao mar, ficando o corpo frio para trás, como oferenda ao inferno.

terça-feira, julho 22, 2008


Ser gente (em estilo de canção)

Ser gente é ter no olhar a sedução ardente
E no sangue o gosto do vinho quente;
É ter a frieza de um não ao coração,
Jamais a um anjo caído estender a mão.

Ser gente em ti é ser mármore lustroso
E das lágrimas inocentes sentir nojo;
É saber manipular e metamorfosear,
Jamais as doces imperfeições elogiar.

E eu que canto, que não sou gente?
Serei sombra ou espectro certamente,
Pois se ao amor me entrego com ternura,
Dizes ser triste e insana desventura…

Ser gente aqui é guardar os punhais
E o veneno que se espalha nos de mais;
É ter na alma um sopro de gelo,
Jamais sonhar e arriscar o flagelo.

Ser gente agora é gritar p’lo mundo fora
E caminhar em curtos passos de cólera;
É saber matar sem meias palavras,
Jamais sentir as emoções descontroladas.

E este anjo, que não é gente,
Será humano? Não é certamente,
Pois se à dor se entrega na amargura,
Dizes ser tolo, com traços de loucura…

segunda-feira, julho 21, 2008


Incertezas


Um suspiro distante
Com expressão de anjo amargurado:
Sem asas, sem garras,
Sem histórias para contar;

E a voz que vem do Tejo,
Um pronuncio que flui outras vontades:
Sem pressas, sem medos,
Sem sonhos para encantar;

Arde descomedido.
Seduz a noite à luz da Lua cheia:
Sem estrelas, sem ódio,
Sem desejos para dar;

Perdeu-se na memória
Fiada em dias de imperfeitas fantasias:
Sem rigor, sem pudor,
Sem firmeza no olhar.

"Vício De Ti" - MESA

Amigos como sempre dúvidas daqui pra frente
sobre os seus propósitos
é difícil não questionar.
Canto do telhado para toda a gente ouvir
os gatos dos vizinhos gostam de assistir.

Enquanto a musica não me acalmar
não vou descer, não vou enfrentar
o meu vício de ti não vai passar
e não percebo porque não esmorece
ao que parece o meu corpo não se esquece.

Não me esqueci, não antevi, não adormeci, o meu vício de ti
Não me esqueci, não antevi, não adormeci, o meu vício de ti

Levei-te à cidade, mostrei-te ruas e pontes
sem receios atrai-te as minhas fontes
por inspiração passamos onde mais ninguém passou
ali algures algo entre nós se revelou.

Enquanto a música não me acalmar
não vou descer, não vou enfrentar
o meu vício de ti não vai passar
e não percebo porque não esmorece
será melhor deixar andar?

Não me esqueci, não antevi, não adormeci, o meu vício de ti
Não me esqueci, não antevi, não adormeci, o meu vício de ti
Não me esqueci, não antevi, não adormeci, o meu vício de ti
Não me esqueci, não antevi, não adormeci, o meu vício de ti

Eu canto a sós pra cidade ouvir
e entre nós há promessas por cumprir
mas sei que nada vai mudar
o meu vício de ti não vai passar, não vai passar...

quinta-feira, julho 17, 2008

Murmúrios Silenciosos

Vendado caminho em passos hesitantes.
Erro pelas sombras da cidade submersa
onde cheiro a saudade em cada pedra
em que vou tropeçando.
Aqui não há guias nem avisos
nem um braço forte ou uma voz.
Silêncio! – já sinto o odor da morte
a rastejar na calçada ensanguentada.

Não me suspirem o triste fado,
almas condenadas,
não me segredem as desventuras
como punhais enterrados na carne.
A boca sabe-me a veneno.
Vai engrossando a saliva até que sequem os lábios.
E depois? – mais nada.
A noite, o mar revoltoso e a lua que se esconde.