sexta-feira, abril 04, 2008


Se a porta se abrir
Não deixes encerrar o sonho
Nem me digas que foi ontem
E que hoje já é tarde

Abre a janela do Sol
E deixa a brisa entrar
Com pétalas de faz de conta
E um sorriso tímido
Respira a vida
Faz de ti sonhador

Quando faltarem as ternuras
Que o habito velho deixou
Cria uma história
Feliz como as outras
Mas só tua

E se não chegar ao coração
Vive a primavera
A cor das flores simples
E seus doces perfumes
Dias

Sempre soubera que o despertar seria o começo para um dia que não queria certamente ter, mas como as surpresas existem, arriscava sempre, até porque as obrigações a que se tinha comprometido assim o exigiam. Ainda de olhos cerrados e com o cérebro embrutecido pelas escassas horas de sono, desligava aquele velho despertador que emitia um som que não inspirava boas vontades. Achava arrepiante aquela invenção. Como poderiam as pessoas sujeitarem-se a estranhos instrumentos, distribuidores do chamado “mau humor matinal”. Até ele se tinha deixado consumir por esse hábito. Era o que as grandes cidades e a competição excessiva traziam, mau humor e noites mal dormidas. Estúpidas regras e putas daquelas que as tinham feito, ou cabrões se forem homens, pensava. E então arrastava-se pelo quarto, procurando num monte de roupa aquela que iria vestir, com a preocupação de não fugir a um estilo que ele próprio tinha traçado.
O primeiro contacto que tinha com o corpo era aquele arrepio provocado pela água quente do duche. Era também o primeiro, e talvez o único, prazer do dia. Sentir-se embebido na transparência e nos odores perfumados com que envolvia o corpo magro e sem linhas definidas. Dedicava sempre dois ou três minutos para ficar simplesmente debaixo do chuveiro e sentir os ombros serem massajados por um ser inexistente. Chegava a sentir-se apetecido, até ao momento em que lhe vinha a preocupação de desligar a água, limpar-se e vestir-se, com aquele pensamento irritante de “vou chegar atrasado”.
Depois saía, ao som de uma música qualquer escolhida na véspera que o fazia sentir-se mais animado que o ruído urbano. Já lhe bastavam os odores dos tubos de escape que arrotavam nuvens de fumo negro e os encontrões de gente mal educada, confinada à pressa de serem bactérias sociais.
E era sempre tudo igual, visto à transparência de não ser vidente e de não possuir uma bola de cristal bem polida. Cansava-o mais a semelhança dos dias que as tarefas dos mesmos. Mas talvez fosse diferente amanhã e sentia o desejo de lutar para concretizar essa mesma vontade. Ser cinzento como os outros com que se cruzava na rua não era propriamente algo que o iria fazer sentir-se concretizado, até porque já bastavam as construções que se debruçavam sobre si, na ameaça de ruir só pelo gozo de fazer correr mais um pouco de sangue que pudesse fervilhar na calçada suja pelos mendigos e engravatados, abrindo manchetes de jornais gratuitos e pagos, sempre com o sensacionalismo de criar aquela estranha felicidade de ter acontecido ao outro e ser tema de conversa por dois ou três dias, até algo mais entusiástico suceder.
Metade do dia era dedicado a ouvir ensinamentos pré concebidos e a registá-los para mais tarde os saber vomitar para uma folha qualquer para que alguém avaliasse todas as partículas, na ânsia de encontrar algo mais criativo para rasurar ou a ausência da palavra que ditara na oitava oração e que escapara ao aluno desatento. O que lhe valia eram os sorrisos dos colegas que adoptara e que o tinham adoptado, em cumplicidade de terem sonhos semelhantes e aventuras a partilhar, entre almoços no bar da faculdade ou num pita shoarma ou, em dias de Sol, por jardins verdes, com direito a sessões fotográficas ou leituras jornalísticas, de phones nas orelhas e comentários oportunos. A outra metade era a tensão laboral de cumprir um objectivo traçado pela sorte, adormecido na ausência do raciocínio intelectual ou algo mais prático. Era uma máquina ligada a um telefone e a um computador obsoletos, numa grande empresa, como sempre são, independentemente das condições que oferecem. Pensando bem, as condições eram melhores que as das crianças de um país subdesenvolvido qualquer, que cosem bolas de futebol e ténis, que mais tarde serão calçados por meninos endinheirados e consumidos pela necessidade da moda, para que possam ter direito a uma malga de arroz mal servida. E nós por cá, sub nutridos de inteligência.
É já na véspera de um novo dia que se tranca no seu pequeno quarto, percorrendo a consciência de não ser infeliz, mas de também não poder afirmar que é feliz. Embrenha-se na sua estranha vontade de ser algo mais e de partilhar a sua existência num terno abraço e num beijo apaixonado. Romantismos à parte, deseja que o sono chegue e, enquanto se faz difícil, troca palavras que cria e recria, muitas vezes na ansiedade de serem ouvidas.

quinta-feira, abril 03, 2008

KOKIA - Ai no Melody AMV (Various Anime)

anata marude komorebi no you ni
watashi ni ikiru kibou kureta shiawase ga waratta

kioku no naka no nukumori mune ni
nani yori mo tsuyoi kizuna wo kanjite iru wa

watashi ga watashi rashiku irareru no wa anata ga iru kara

*1 anata wo ai shite umareta uta wo utaou
watashi no ai no akashi ni
shinjite doko made mo todoke watashi no omoi
anata ga ikite iru koto ga shinjitsu

*2 itooshikute ureshikute kanashikute setsunakute
kuyashikute modokashikute... ai no MERODI-

karamiatta kokoro no ito wo
tokihogusu mae ni wakareta tsurakutemo nozonda

"kono ai wo tsuranukou" hitorigoto no you ni
‰i‹v(towa) ni chikai wo tateru

itooshisa ni tsutsumareru MERODI- maiagare sora ni

sono “µ(me) ni mienai taisetsu na mono wo miseyou
afureru ai no izumi ni
omoi wa doko made mo fukaku toki wo koetemo
ikite yukeru sore ga watashi no ai no uta

mmm fureru hada wo toiki ga nozoru
"nee mou nechatta no?" sore nara mimimoto de "I love you"

*1 repeat

sono “µ(me) ni mienai taisetsu na mono wo miseyou
afureru ai no izumi ni
anata to deatte nagaredashita kono MERODI-
furuete iru ima kono toki mo ikiteru

*2 repeat 2x

terça-feira, abril 01, 2008

No silêncio de uma noite solitária
O silêncio fê-lo sentir que já a luz se recolhera, abraçada pelas sombras irrequietas a que chamam noite. Não era mais ninguém e não queria ser. Ser-se assim, na simplicidade das palavras que ditava para o vazio, em pausas para um cigarro mal aceso. A invisibilidade da existência que traçara aos olhos da mente alheia não o admirava. Não era mais que aquele vulto incómodo, que caminhava, errante, pela cidade triste quando o tempo o permitia. Na verdade não era a cidade que era triste, pelo menos em dias de Sol, em que a capital mostrava os seus pequenos encantos, numa magia viciante e alucinogénia por vezes, num miradouro com vista panorâmica para um Tejo adormecido pelo canto das Tágides.
Era jovem e a forma como encarava as emoções arrepiavam-no. Sempre aquela busca incessante por uma parte que o completasse e, apesar de tudo, não a encontrara. Talvez não existisse ou se fizesse modesta. E essa solidão afastava-o por uma porta aberta para a imensidão de um sonho que se fizera desde que descobrira o significado da palavra amar. Eram todas aquelas estrelas que o olhavam quando se deitava na areia humedecida pela noite, enquanto o mar rugia e a lua o escutava, que o faziam inundar-se de sonhos e fantasias como parte da sua própria existência, humilde.
Sentia frio, frio de um toque que insistia em não chegar, em não o envolver em ternuras eternas do que é o presente, sem passado ou futuro, porque o primeiro cheira a mofo e o segundo só o fazia pensar de mais. Mas para que não me perca, o abraço faz-se tardio e o sufoco de um beijo profundo agonia-o por não existir.
Embrulhado numa manta, relembra o Verão com o gosto salgado da pele quente e aqueles mergulhos na rebentação das ondas. E sorri, com a imagem daquele sorriso de gargalhada contida, porque era tímido de mais para dizer que era feliz. E mesmo quando fazia um beicinho de descontentamento, o pequeno coração palpitava de desejo que tudo aquilo acabasse para se poder deliciar com o calor do Sol numa toalha amarela e ler-lhe aquelas notícias que mais ninguém queria ouvir, com a preocupação de não lhe falarem as palavras que os outros haviam escrito com tanto empenho, ou talvez nenhum, o que não era importante, porque importante era o momento em que as lia em voz alta.
Mas voltando agora à fria noite de primavera, tudo o resto são pequenas histórias que guarda em si ternamente, porque não aprendeu a odiar. Uns diziam-lhe que era mau, outros que era bom de mais. Já não se confundia, sabia que não podia ser do bom gosto de todas as bocas, apenas daquelas que realmente lhe interessavam.

domingo, março 09, 2008


Prazer Efémero

Estranho-me hoje por não sentir
A ansiedade dos teus abraços
Que ouso aceitar na loucura do encanto,
Ainda que o amanhã saiba não existir.

Percorro então o estranho desejo
De saborear o enlear dos nossos corpos,
Suados de prazer e cumplicidade,
Sem apelar à razão, pois amanhã estaremos mortos.

Já na sepultura recordar-te-ei
Sem flores ou tristezas vãs,
Pois no fim comer-nos-ão os vermes
Que nos vão defecar nos infernos.

quarta-feira, março 05, 2008

- I -
O Despertar



A chuva finalmente a acordara. Escorria-lhe pela branca face, como pérolas perdidas. Abriu os olhos, da cor do mais doce e puro mel, e olhou à sua volta na tentativa de reconhecer o local. As trevas da noite envolviam a densa floresta em que se encontrava. A cabeça doía-lhe e sentia-se fraca. Não sabia onde estava. Tentou recorrer à sua memória, queria lembrar-se de como teria ido ali parar. O coração disparou: não sabia sequer quem era. Tinha a mente vazia de qualquer recordação. Sentia o corpo gelado, coberto por um top branco e uns calções curtos castanhos, ambos molhados e enlameados, assim como as botas que já não se distinguiam da lama. Reparou que, ao pescoço, transportava um cristal do tamanho de uma noz, que emitia uma ténue luz quente. Não podia continuar ali. Para a sua própria sobrevivência, o mais importante agora era encontrar um abrigo, depois poderia tentar chegar a uma conclusão lógica. Levantou-se e começou a andar pela floresta. Parecia-lhe tudo igual. Grandes árvores que se erguiam para as nuvens do céu, não mostrando qualquer sinal de vida. Pareciam feitas da mais fria e sombria pedra que alguma vez pudesse existir.
O tempo passava e sentia-se cada vez mais cansada e a cair em desespero. Nem mesmo os seus dezassete anos e o seu corpo atlético podiam suportar tanto esforço. Os seus longos cabelos pareciam chocolate a escorrer-lhe pela cara, dificultando-lhe a visão. Sem saber o que fazer, deixa-se cair de joelhos e abraça-se, agarrando as costelas, curvada para o chão. As lágrimas começam a escorrer-lhe pela cara, diluindo-se na chuva.
O seu soluçar interrompe-se quando escuta um uivo longo. Deixa-se ficar à escuta, silenciando todo o seu corpo. Um ruído vindo dos arbustos que se encontravam atrás de si fazem-na voltar-se, com os olhos carregados de lágrimas e medo. Destes surge um lobo, branco como a neve. Tenta correr, mas tropeça e cai no chão. O medo impede-a de se mover e limita-se a tremer, olhando para o lobo, aterrorizada. Este aproxima-se sem pressas. Afinal, a sua presa está demasiado assustada e fraca para fugir. O coração bate freneticamente e a respiração está descontrolada. Já não aguenta mais, nem forças tem para correr ou mesmo gritar. “Porquê?”, pergunta para si mesma, “é o fim”. Foi a última coisa em que pensou. Depois, os braços fraquejaram e deixaram que o corpo se estendesse na terra fria, inanimado.

segunda-feira, março 03, 2008

Flames of Heaven

Anime: Shakugan no Shana
Song: In The Shadows - The Rasmus

No sleep
No sleep until I am done with finding the answer
Won't stop
Won't stop before I find a cure for this cancer
Sometimes
I feel I going down and so disconnected
Somehow
I know that I am haunted to be wanted

I've been watching
I've been waiting
In the shadows all my time
I've been searching
I've been living
For tomorrows all my life

In the shadows

In the shadows

They say
That i must learn to kill before i can feel safe
But I
I rather kill myself then turn into their slave
Sometimes
I feel that I should go and play with the thunder
Somehow
I just don't wanna stay and wait for a wonder

I've been watching
I've been waiting
In the shadows all my time
I've been searching
I've been living
For tomorrows all my life

Lately
I been walking
walking in circles,
watching
waiting for something
Feel me
touch me
heal me,
come take me higher

I've been watching
I've been waiting
In the shadows all my time
I've been searching
I've been living
For tomorrows all my life
I've been watching
I've been waiting
I've been searching
I've been living for tomorrows

In the shadows

In the shadows
I've been waiting

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Olho a imagem oferecida pelo espelho, mas nela não encontro mais que uma sombra daquilo que sou, apenas uma sombra disforme que nem a mim agrada. Fecho os olhos, de punhos serrados, na tentativa de não cair no erro de me condenar a sete anos de má sorte. Mas porquê? Que adianta. Sou muito mais que isso, ou pelo menos julgo ser.
Já não me encontro e o quarto está escuro. Tacteio o vazio numa estranha vontade de encontrar o que não existe. Se existe eu não vejo. Estarei cego? Estarei senil? Talvez. Há momentos em que procuro o que poderia completar. Não procuro em mim, procuro no outro. Mas não existe nenhum outro se não eu, e isso não me chega, assim penso. Provavelmente não penso sequer, mas isso é outra questão que, sinceramente, não me interessa abordar, porque a noite já é suficientemente entediante e solitária para me deixar cair, a mim e a quem tais insanas palavras lê, num rasgo de bocejos e lágrimas adormecidas.
Não vejo, não saboreio, não sinto. E mais não digo. Talvez seja a dita castidade promíscua. Posso ver, saborear e sentir a carne, de tal não me privaram as más línguas, mas a carne é seca. E o sumo? Aquela vontade, aquela cumplicidade numa troca de olhares eróticos, aquele desejo de ser um todo, o toque que provoca arrepios escaldantes, ardendo todo o corpo e a alma num momento de infinito prazer.
Sei que não me devo deixar consumir pelo medo de me perder. Jamais poderei permitir que tal aconteça. Por isso refugio-me na espuma da rebentação das ondas, iluminadas pela Lua cheia, cheia de magia, cheia de sonhos, cheia de mim.

sábado, fevereiro 23, 2008

São Pobres, Senhor

Pobres daqueles que vivem no silêncio
E que se entregam à dormência do pensamento
Com medo de represálias alheias
À fuga de um padrão que dizem ser normal.

Mas estes lábios não se serrarão
Em silêncios ou brandas securas,
Porque maior que o erro de falar sem receio
É viver na penumbra do Mundo;

E não me venham com aquela imagem
De simpatia cínica e cordial,
Porque de putas de sorriso de punhal
Estou eu agoniado até às tripas!

Há mais penúria de inteligência
Que de dinheiro ganancioso;
Esta não acalma a fome física
E a outra, coitada, é esquelética.

Mas não percamos a grande fé!
Oremos ao Senhor (seja ele quem for)
Que dar-nos-á alento para sobreviver
Já que viver parece muito.

Somos pobres, pobrezinhos escanzelados,
Pequeninos e de voz medrosa,
Provincianos de cidades sujas,
Nunca tão sujas como o nosso carácter.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008


O Renascer da Lua Nova

Ouvem-se os sussurros da noite
Num pronuncio de morte
Ditado pelos astros longínquos
Onde serei o réu da Lua nova.

Cai sobre mim o negro véu
Para que não ouse olhar o passado;
A boca é cozida de linho
Para que não ouse cantar o passado;
O corpo é gelado no silêncio
Para que não sinta ou escute o passado;

E ele ajoelha-se perante os deuses
Elevando-se o espírito rebelde,
De pele branca e brilhante,
Com asas de demónio errante.

Abraça a carne do criador
Chorando o seu amargo sangue,
Pois também ele asfixia de dor
Ardente no frenético coração
E o desejo da própria extinção
Partilha no insano sofrimento.

Espírito e carne unidos
Perante a vontade maior
Aguardarão que os não-vivos
Lhes tragam sorte melhor…

Abre agora os braços ao mar,
Sente o seu abraço e a brisa suave:
A força renovada da alma
Envolta na espuma branca
Das marés que os teus olhos brotaram
Enxugadas pela gloriosa Lua.

Que novos sonhos se criem
Ou renasçam das intempéries
Como a ave sagrada se elevou
Das mais negras cinzas.

Aquece agora o corpo cansado
Para que volte a sentir no futuro;
Beija-lhe os lábios secos
Para que volte a cantar no futuro;
Dá-lhe a luz da Lua nova
Para que veja a o brilho futuro.

Amanhã terás esquecido
O renascer do passado de hoje;
E que o espírito aguarde
Os sinais do Mar e da Lua…

terça-feira, fevereiro 05, 2008

You are my love - Sakura's song - Tsubasa Chronicle

title : You are my love
sing by Sakura ~ Yui Makino version

song lyrics english version:

Kiss me sweet
i'm sleeping in silence
all alone
in ice and snow

in my dream
im calling your name
you are my love

in your eyes
I search for my memory
lost in vain
so far in the scenery
hold me tight,
and swear again and again
we'll never be apart

If you could touch my feathers softly
I'll give you my love
we set sail in the darkness of the night
out to the sea
to find me there
to find you there
love me now
if you dare...

Kiss me sweet
i'm sleeping in sorrow
all alone
to see you tomorrow

in my dream
I'm calling your name
you are my love...
my love...

song lyrics japan version:

Ame ni nureta hoho wa
namida no nioi ga shita
yasashii manazashi no
tabibito

Shizuka ni hibiiteru
natsukashii ongaku
omoidasenai kioku
samayou

Yume wa tobitatsu no chiisa na tsubasa de
omoi no kienai basho made
futari de
tooi umi wo sora wo koete

Kurai yoru no naka de
watashi wo terashiteru
yasashii manazashi no
anata ni
aitai...

Marcha Carnavalesca

É Carnaval. Tempo de loucos. Desfilam nas ruas putrefactas, com mil e uma caras que escondem a verdade, como sempre, mas com desculpa festiva.
Chovem serpentinas e confetis, lançados por um palhaço aparentemente feliz. Esconde a tristeza nas suas pinturas exageradamente extravagantes. E dança e gesticula expressões cómicas, soprando uma trompete de plástico colorida, já que a vida lhe roubou a voz e só assim se faz ouvir. Pobre palhaço. Tenta dar o que lhe roubaram, aquele sorriso genuíno ou uma gargalhada sincera.
Desaparece pelas saias saloias das varinas mas vestidas e assombrosas. Fedem a perfume barato e não é peixe o que vendem. Ou talvez seja, segundo dizem as más-línguas. Vêm de braço dado com anjos perversos e diabos de sorriso malicioso. É noite de festa. Depois de resto é o costume. Super heróis amedrontados, princesas sem dote, embebidas em vinho, génios da tabuada ou piratas de água doce.
As máscaras são variadas. Uns vestem-se do que podem. Outros do que queriam ser quando eram pequenos. Há aqueles que são o que sempre foram e recalcaram ao longo do ano. Por fim, os que cedem à extravagancia para que sejam vistos. São o que quiserem ser, num desfile insano e mal articulado. Dançam embriagados pela vontade obscura.
Parece que vejo todas as cores movimentando-se e misturando-se de forma berrante. Agonia-me. Sei que amanhã serão apenas uma: o preto. A cor da morte que se espalha nas ruas desertas, com o odor a álcool e vómito que fermentam nos passeios. É o presságio do fim das danças loucas, das gargalhadas insanas. E eu restrinjo-me ao olhar do silêncio.

terça-feira, janeiro 22, 2008


Procuro-te

Procuro-te na noite
O teu olhar, o teu toque
Espio o teu corpo despido
Procuro o teu calor
Mas a cama está vazia

Já não sonho com a vida
São apenas sombras
De uma causa esquecida

As sombras ganham forma
O medo cresce e o corpo estremece
Cria-se um monstro
Surge o que não quis ser
O que um dia se escondeu

Agora governa e finge
Mata mais um pouco de mim
Arranha a alma nua

Procuro-te na noite
As lágrimas cegam a razão
Já cansa procurar
Mas continuo, insano como antes
Porque a cama está vazia

sexta-feira, janeiro 18, 2008

The Little Mermaid - Ariel

My name is Ariel
And I want to be free
It is your sorrow
That has made a slave of me
Forgive me
Forgive me
But you are all I know
Forgive me for leaving

The day is breaking now
It's time to go away
I'm so afraid to leave
But more afraid to stay
Forgive me
For leavning
The sadness in your eyes
Forgive me

Let the wind and ocean water
Wash across your hands
Wash away a thousand footsteps
Wash us all away
Like sand

The sky has fallen
Now the earth is dry and torn
I know you're tired
From the violence of the storm

I love you
I love you
But you are all I know
Forgive me

Let the wind and ocean water
Wash across your hands
Wash away a thousand footsteps
Wash us all away

Let the wind and ocean water
Wash across your hands
Wash away a thousand memories
Wash us all away
Like sand

My name is Ariel

quarta-feira, janeiro 16, 2008


Dream Diary

I

Memórias Passadas

No topo de uma falésia enfrento as trevas de uma noite sem lua ou estrelas. O Mar chama-me e eu oiço os seus murmúrios trazidos pelo vento quente. Envolto numa capa branca, fito a rebentação das ondas lá em baixo. Soa mais alto, e uma luz surge, vinda das suas profundezas. O corpo enfraquece e deixa-se cair e engolir pelas águas agitadas. Abro os olhos. Espanta-me conseguir respirar. E a luz aproxima-se, envolvendo-me na inconsciência da sua origem.
Acordo no infinito sombrio, cujo solo preenche-se por uma fina camada de água. Estou só e despido do que me prende ao senso comum. Toda a solidão em que me encontro faz-me cair no desespero de existir. Abraço-me e deixo que as lágrimas façam parte do momento. Oiço passos que ecoam no meu pensamento. Sou eu. Não como sou agora, mas como fui em tempos, quando a minha alma ainda não tinha sido corrompida.
“Não chores. Não estás só!”
Aquela criança sorri para mim e estende-me a mão.
“Vem comigo. Quero mostrar-te uma coisa.”
E realmente mostrou. Imagens fizeram-se surgir, do mais longínquo inconsciente. Imagens do que já passou. De todos os momentos em que sorri e fui feliz. Cada vez mais rápido. E a criança limita-se a sorrir para mim, enquanto desvanece-se deixando-me só, mais uma vez. Ainda oiço a sua voz na minha cabeça:
“Não estás só.”
Abraço-me e deixo-me envolver pela luz que me faz despertar, para o fim do sonho.

terça-feira, janeiro 15, 2008


A Dor de um Mortal

Derivo na noite com a alma nua,
Procurando no céu as estrelas e a Lua.
Faz frio, o corpo vacila e deixa-se morrer;
Estou cansado desta busca eterna.
Sou como um mortal
Sem as asas que da luz vi nascer,
Feitas de sonhos sublimes e esperança…

Venda-me os olhos
Para que não veja a escuridão;
Esta dor que me abraça
Nas trevas dos meus medos
Faz-me insano, sem razão.

Quase que me sinto trespassado
Por mil espadas empunhadas
Pelas sombras amarguradas
De um coração devassado
Pelas mãos de quem o entreguei!

Fui presa de uma ser
A quem o amor e a carne não bastou
Para saciar a fome voraz,
Até a alma foi despida de sonhos
E amordaçada em espinhos de aço.

Chorei rios de prata,
Memórias que não preenchem o vazio;
Tempo que não te fez acreditar
No que mais sincero tinha para te dar;
Fizeste do eterno efémero;
Deixaste morrer a chama
Que iluminava o nosso caminho…

quinta-feira, janeiro 10, 2008


Paz Campestre

Cheguei. Ao fim de três longas horas de viagem, incómodas e apertadas pelo excesso de bagagem, ao som de rádios locais, alcancei o tão esperado destino. Tudo o resto ficou para trás, aquela ruidosa e monstruosa cidade e a rotina que me prendia com as suas correntes de aço, inquebráveis. Nem acredito que aqui estou, mais uma vez, sentado nesta pedra que já me conhece desde pequeno, aconchegado ao abrigo de uma figueira de quem o tempo já ninguém recorda. Parece que me aguardavam impacientes, pois estão como me recordo delas. Aqui não há buzinas, não há gritos, não há crianças a chorar. Não há correrias nem autocarros para apanhar. Tenho apenas o silêncio vivo da natureza que me envolve e abraça novamente, como sempre abraçou.
Que saudade tinha destas tardes de Agosto, tardes em que o canto da cigarra me faz reviver a nostalgia de outros tempos, tempos em que a minha própria inocência se misturava com a fantasia de que poderia aqui ficar na eternidade do tempo. Este é o meu santuário. Não conheço outro destino se não este, que me apazigua e me oferece momentos de reflexão, longe da intelectualidade que nos vicia. Nenhum outro me chama assim, sem palavras, apenas com as recordações que trago na memória. Aqui aprende-se com as sensações e com os sentidos que a natureza nos deu. Aprende-se a respirar.
Olho à minha volta. Não vejo ninguém. Apenas casas distantes, envelhecidas. Semeadas por montes e vales, aguardam serenamente por alguém que lhes conte histórias de outros mundos, de outras vidas que não as suas. Sabem que não virá ninguém. Deixaram-se ficar, com os poucos que nelas habitam, esquecidos pelos filhos que partiram, abandonando a terra que os viu nascer e que sempre lhes deu tudo aquilo que na verdade precisam. Mas, os que ficaram, não lamentam a solidão pois, na verdade, não estão sós. Têm muito mais que pessoas, algo que sempre lá esteve e que conhecem melhor que ninguém. Restringem-se a aguardar a morte, confiantes, com um sorriso na face e sem medos, porque morrer é renascer no eterno descanso que sempre aqui tiveram. Deram toda a sua vida para construir sonhos só seus, e o orgulho é infinito. São felizes. Eu, que venho de fora, de um mundo de cores cinzentas, e que penso ter tudo, por vezes não compreendo como podem ser felizes, sem bens materiais. Aí reside a grande diferença. Não é contentarem-se com pouco, mas é terem tudo o que realmente precisam, aliado à paz que o mesmo lhes oferece. Nós, fantasmas da cidade, pensamos que temos tudo, mas, na verdade falta-nos muito. Falta-nos abandonar o materialismo e encontrarmo-nos bem com aquilo que a natureza nos oferece. Nós somos infelizes, mas pensamos o contrário.
O Sol está tão quente que não há ninguém que se atreva a espreitar pelas portas de madeira e ferro já lascadas, ou pelas janelas de vidro fosco. Parece que toda a aldeia adormeceu, num sono profundo, pousando para uma enorme tela, pincelada de traços incertos por uma mão cansada e enrugada, que mistura, sem saber, todas as cores da vida que já passou.
São duas horas da tarde. Ainda me resta muito tempo até à hora de jantar e o almoço foi farto o suficiente para me deixar aconchegado durante as próximas horas. Sorriu para mim mesmo. É estranho. Toda esta calma me é familiar, mas sempre me parecera tão distante nos últimos meses em que me mantive ausente. Talvez seja por me ter deixado consumir pela sombria cidade. Mas agora não importa, posso ser eu novamente. Posso abrir de novo a mente e deixar-me seduzir pelas maravilhas que este espaço, este mundo utópico, me proporciona. Posso escutar os seus ensinamentos. Aprender a ser humano.
Uma pequena brisa aproxima-se, tocando nas flores silvestres que balançam suavemente. O meu olhar prende-se nas suas cores. Rosa, amarelo, branco, dourado, azul, verde. Perco-me em tanta diversidade. Parece que se movem com o esvoaçar ingénuo das borboletas. Sempre que pousam numa rústica flor fazem-na curvar-se, ligeiramente, voltando subir graciosamente. Depois, abrem as suas asas, salpicadas de tons castanhos, negros e brancos, exibindo-as, para as voltar a fechar, suavemente, sem pressas, mantendo a curiosidade de quem, como eu, as observa. Não têm onde ir. E tudo isto me consome e hipnotiza, levando-me a fantasiar um pouco. Por momentos, breves, mas profundos momentos, parecem-me fadas que pairam de flor em flor, procurando a mais bela, nunca tão bela quanto elas. Quase que as vejo sorrir, escondendo-se entre as pétalas, numa valsa lenta. Gostava de ser assim. Ser livre. Ser eternamente deste mundo, um mundo sem tempo ou movimentos furtivos. Não há dor no que vejo. E invejo-as, fazendo-me despertar, por tal sentimento, por equipará-las ao mundo real, ainda que ligeiramente atordoado. Nunca soube de alguma borboleta que chorasse. Limitam-se a viver, a fazer parte desta fantasia floral. Começam por não aparentar qualquer beleza quando nascem, para mais tarde se envolverem nos finos fios, que tecem lentamente, para poderem renascer. Pudesse eu, ainda lagarta, renascer como elas. Assim também eu seria livre.
Fecho os olhos e encosto-me ao enrugado tronco da grande e majestosa árvore. Sinto a fragrância do florescer da eterna paz invadir-me, provocando-me alguma sonolência. Até a respiração acalma e o coração descansa. Todo o meu corpo parece querer levitar. Sem se mover, tenta alcançar as nuvens de algodão que flutuam sobre si. Afinal já não quer ser borboleta, mas sim andorinha, para poder fugir do frio Inverno sempre que este ameaça aproximar-se. Poder viver numa eterna primavera e imortalizar os sonhos.
Volto a abrir os olhos. Continua tudo igual. Seguro num Pom-Pom Campestre e sopro-o para o céu azul. Observando os seus pequenos fragmentos seguirem a suave brisa que os guia, para que possam também renascer, tento aprender algo com eles. Inspiram-me. Tal como ele, também os sonhos, que, por vezes, julgamos terem sido destruídos, devem ser levados pelo tempo, ainda que dispersos em estilhaços, até que encontrem novas forças para renascer. Diferentes, talvez, mas com outra força, com outra vida. Na natureza, na vida, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Sábias palavras de Lavoiser, que agora recordo. É como a lenda da Fénix, que renasce das cinzas.
Decido abandonar este santuário por agora. Tenho saudade de ver o rio. Felizmente é perto e não terei de andar muito. Sigo as pegadas da memória. Conheço bem estes caminhos. Quase que os posso percorrer de olhos fechados seguindo o meu instinto. As silvas, pelas quais vou passando, estão carregadas de amoras, que protegem com os seus espinhos. Atrevo-me a roubar alguns destes frutos proibidos para que os possa degustar enquanto não alcanço o meu desejo. A vida também é como estas silvas. Temos de passar por espinhos, ultrapassá-los evitando que estes nos firam. Por vezes há um ou outro que nos é cravado, mas vale sempre a pena. O resultado é o doce fruto da concretização que, quanto mais difícil for chegar até ele, melhor irá saber. As amoras estão quentes, parecem pequenos corações. Talvez o sejam, corações que a natureza me entrega, para que não me sinta só. Este sim, é o amor genuíno, que não magoa, apenas quando chega a hora de partir. Mas não me vou preocupar com essa triste imagem por agora. Sei que ainda falta. Estou preso na eternidade, enquanto caminhar por estes trilhos escondidos, rodeado de flores e pinhais. A música é o balançar dos ramos, o cantar dos pássaros e das cigarras, os meus passos, a minha respiração e o suave batimento do coração. Esta sim é perfeita. Embala-me, fazendo o corpo esquecer as suas limitações físicas e quase flutuar até ao rio.
Já consigo ver o velho barco que se encontra na margem. Sempre o vi ali, parado, preso com a mesma corda de sempre, velha, mas robusta. Sento-me nele, fazendo-o baloiçar suavemente. Imagino como seria bom poder descer o rio nesta pequena embarcação. O rio parece coberto de cristais reluzentes, que ondulam. Vejo-me descer este rio de prata, vagarosamente, sem remos, sem leme, até onde ele me quiser levar. Não temo o meu destino. Afinal, sei que posso confiar-me, deixar-me ficar, nos seus braços. Uma suave brisa faz-se sentir. Sinto-a aproximar-se, pelo movimento das folhas das árvores que me fitam nas margens. Ao passar por mim, liberta-me de todos os fantasmas que ainda residiam na minha alma. E é como se me nascessem asas de luz, entregando-me a liberdade e a paz que sonhei em noites escuras e frias. Sinto-me mais leve que o próprio ar. Um novo “eu” renasceu. Está na altura de levantar voo. Abandono o velho barco, e sigo o meu instinto. O rio afasta-se devagar. Agora consigo visualizar todo este imenso mundo, o verde puro que se ergue para o azul, tentando tocar-lhe. Inspiro todo este etéreo mundo que se reflecte nos meus olhos. Vejo novas cores criarem-se. O céu tinge-se agora de tons laranja e rosa. Vejo-o esconder-se, descendo para trás das montanhas. Olho à minha volta. Tudo parece adormecer com ele. E, lá ao longe, vejo-me encostado à velha figueira, abraçando-me como quem abraça a vida.
Abro os olhos. Foi apenas um sonho, ou talvez algo mais. Já está a escurecer, mas não importa. Hoje bebi mais um pouco da doutrina deste mundo. Às estrelas, enquanto a Lua não se faz surgir, conto tudo o que aprendi. E elas ouvem-me, como sempre ouviram os meus desabafos. Também o ser humano devia ouvir. Mas não ouve, limita-se a praguejar as suas desgraças, culpando a má sorte, quando, na verdade, ele é o verdadeiro culpado do seu próprio fado. Levanto-me e acaricio a grande árvore. Conhece-me melhor que ninguém. Quase que a oiço respirar e sorrir para mim, ternamente. Despeço-me. Sei que, quando voltar, ela ainda ali estará, à minha espera, como sempre esteve.
Trabalho para a cadeira de Técnicas de Expressão Escrita I
Elaboração de um texto lento (de 4 páginas)

terça-feira, janeiro 01, 2008

Sailor Moon - Goodbye, My Lover

Para ti, ainda que a dor que me dás pareça eterna e a as lágrimas me ardam na alma.
Feliz 2008...

segunda-feira, dezembro 31, 2007


Sufoco

A noite consome-me a vontade de ser
E como uma maré afasta-me da margem,
Para o mais profundo e negro pensamento
Que alguma vez em mim surgiu,
Afundando-me no medo de viver.

E o corpo treme e vacila
Com o sufocante batimento do desespero,
Enlouquecendo a razão que resta em mim
Porque ousei o capricho de amar!

Rasgo a pele para que não me dê
Aos prazeres obscuros do desejo
E cravo na carne as palavras obscuras,
Para que não tas entregue;
Não quero ser igual aos outros.

Pudera eu arrancar o coração,
Consumido pelo fogo insano,
E espremer todas as vontades
Até que nada restasse deste enredo…

Peço apenas que na morte,
Se a pobreza alheia não o impedir,
Queimem este meu corpo,
Libertando a alma e suas memórias
Das correntes de toda uma vida.

terça-feira, dezembro 11, 2007


Vulgaridades

Hoje vi morrer um ser
Insignificante para uns,
Mas motivo de inspiração
Para os que vivem na emoção
De viver todos os dias
Como o primeiro do Mundo.

O Sol mostrou-se tímido,
Arrefecido pelo suave vento,
Gélido como as pessoas;
Fazia rodopiar as folhas
Despidas das árvores adormecidas
Pelo decorrer do velho tempo.

Foi nesse instante que vi,
Entre as dançantes folhas,
Uma pequena borboleta
Que ziguezagueava solitária
Numa luta persistente,
Confundindo-se em tons castanhos;

Observei-a por momentos,
Invejando a força e determinação,
A audácia de ser pequena,
De ser livre, em cores outonais!
Pudera eu um dia ser como ela,
Encanto de alma inocente…

Mas tudo o que é puro
Tem no Mundo um destino de morte.
E que má sorte a deste ser
Que tão pequeno enfrentou
A máquina criada pelo Homem
Sofrendo a tragédia esperada.

Da antiga graciosidade
Nada restou – desapareceu
Deixando o rasto sinistro
Da pureza devassada
Pela artificialidade humana,
Acontecimento já vulgar.

Ninguém a chorou ou notou;
A esta gente tudo é indiferente
Quando é pouco o sangue derramado;
Não dá conversa de escada
Nem exalta a curiosidade.
É apenas silêncio e cegueira.